A conta ficou apertada, e o governo correu para mexer as peças antes da votação.
A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal chegou à CCJ do Senado cercada por um movimento claro do Planalto para garantir o resultado.
O placar atualizado mostra 15 votos favoráveis e 8 contrários, exatamente um voto acima do mínimo necessário para que o nome avance ao plenário.
O dado, por si só, já chama atenção.
Mas o que realmente alterou o cenário foi a troca de integrantes na comissão.
Por que isso importa tanto?
Sem passar por ela, a indicação não segue adiante.
E, no caso de Messias, o governo Lula decidiu agir diretamente na composição do colegiado para ampliar sua margem.
Até pouco tempo atrás, o levantamento apontava 13 votos favoráveis e 8 contrários.
Agora, com a nova configuração, o placar passou para 15 a favor e 8 contra.
O número não cresceu por mudança espontânea de posição, mas pela entrada de senadores alinhados ao governo e pela saída de nomes contrários.
Quem entrou para ajudar?
Renan Filho, do MDB de Alagoas, ex-ministro dos Transportes do governo Lula, assumiu como membro titular da CCJ na vaga de Sérgio Moro.
Também houve a substituição de Cid Gomes, que não havia declarado posição, por Ana Paula Lobato, do PSB do Maranhão, que já havia sinalizado apoio a Messias em março.
Essas duas mudanças elevaram o total de votos favoráveis de 13 para 15.
E quem saiu?
Sérgio Moro, do PL do Paraná, deixou a comissão na sexta-feira, 24 de abril.
Ele é contrário à indicação e criticou as manobras do governo para garantir os votos.
A expectativa é que retorne como suplente, mas sem direito a voto.
Ou seja, continua no debate, mas fora da contagem decisiva.
A oposição, por sua vez, tentou reagir.
Nesta terça-feira, 28 de abril, Plínio Valério, do PSDB do Amazonas, entrou na CCJ como membro titular.
O tucano votará contra a nomeação de Messias.
Com isso, os votos contrários, que haviam caído de 8 para 7 após as trocas anteriores, voltaram a somar 8.
O detalhe que muda a leitura do caso está justamente aí.
O governo conseguiu ampliar sua vantagem, mas ela continua mínima.
Mesmo com toda a articulação, a margem é de apenas um voto acima do necessário.
Isso revela duas coisas ao mesmo tempo: a força da operação montada pelo Planalto e a fragilidade do apoio real quando a disputa é apertada.
A sabatina de Jorge Messias na CCJ está marcada para quarta-feira, 29 de abril.
Se for aprovado, o nome seguirá para o plenário do Senado.
A comissão tem 27 integrantes, e ainda há senadores que não declararam voto.
São eles Professora Dorinha, do União Brasil de Tocantins, Rodrigo Pacheco, do PSB de Minas Gerais, e Vanderlan Cardoso, do PSD de Goiás.
Jayme Campos, do União Brasil de Mato Grosso, não respondeu ao questionamento feito pelo Poder360.
Há chance de mudança?
Rodrigo Pacheco tende a votar a favor por integrar a base governista.
Ainda assim, o cenário mostra que o governo preferiu não depender apenas de tendência política e trabalhou para alterar a própria composição da comissão.
O ponto central aparece justamente no fim dessa movimentação.
A indicação de Jorge Messias não chega à votação apenas sustentada por apoio consolidado, mas por uma engenharia política feita para assegurar o placar mínimo.
Em um processo que deveria testar a solidez do nome indicado, o que se viu até aqui foi uma corrida do governo Lula para rearranjar a CCJ e reduzir riscos.
Depois da comissão, a disputa muda de escala.
No plenário do Senado, a aprovação de um ministro do STF exige maioria absoluta: pelo menos 41 votos entre os 81 senadores.
A votação é secreta.
Se a Casa rejeitar a indicação, caberá ao presidente da República apresentar outro nome para a vaga.
Por enquanto, o que está claro é simples.
Antes mesmo da sabatina começar, a batalha principal já aconteceu nos bastidores da CCJ.
E foi ali, na troca de cadeiras e na contagem voto a voto, que o governo tentou construir a vantagem necessária para empurrar Jorge Messias rumo ao Supremo.