Tudo desandou de uma vez para Rodrigo Pacheco.
O senador apareceu no centro da crise do STF.
Mas o que mudou de fato?
Pacheco sinalizou a aliados que está fora de duas disputas.
Quais disputas?
A vaga no Supremo e a corrida pelo governo de Minas Gerais.
Por que isso pesa tanto?
Porque o nome dele esteve do início ao fim no roteiro da rejeição de Jorge Messias ao STF.
Quem queria Pacheco no Supremo?
Davi Alcolumbre e Alexandre de Moraes defendiam o nome dele.
E Lula?
Lula tinha outros planos.
Quais eram?
Nos últimos meses, os dois se reaproximaram.
Pacheco chegou a aceitar ser pré-candidato ao governo de Minas.
Então por que tudo travou?
Porque Pacheco não foi para o STF, como queria Alcolumbre.
E também não deve ir para Minas, como queria Lula.
O que aconteceu no meio desse impasse?
Na véspera da sabatina, Pacheco almoçou com Jorge Messias.
Depois disso?
Posou para fotos e assinou nota de apoio ao indicado.
E no Senado?
Na CCJ, cumprimentou senadores e senadoras durante a sabatina.
No fim, também saudou Messias.
Isso indicava alinhamento?
Ao menos publicamente, sim.
Mas o clima no plenário contou outra história.
Qual?
Enquanto Alcolumbre acelerava a votação das indicações até chegar ao nome de Messias, Pacheco ficou discreto.
Discreto como?
Em meio à euforia, aos gritos e aos celulares voltados para a sessão, ele quase não apareceu.
Teve algum detalhe que chamou atenção?
Sim.
Em alguns momentos, parecia atordoado com o ambiente descrito como futebol de várzea.
E quando saiu o resultado?
O painel abriu e expôs uma derrota histórica para Lula.
Pacheco foi um dos primeiros a deixar o plenário.
O que isso revela?
Mostra o tamanho do desgaste em torno do caso.
E também a contradição do momento.
Qual contradição?
Pacheco apoiou Messias publicamente.
Mas termina o episódio fora das duas rotas que cercavam seu nome.
E agora?
A interlocutores, diz que quer fazer de seu grande último ato na política uma aproximação entre Lula e Alcolumbre.
Isso resolve a crise?
Ainda não.
O que fica claro é outra coisa.
Qual?
A derrota de Messias não atingiu só o governo Lula.
Também embaralhou o futuro de Pacheco.
No fim, sobrou um senador entre dois projetos frustrados.
Nem Supremo.
Nem Minas.
E o recado é duro.
Quando o governo erra na articulação, a conta não para em Brasília.
Ela derruba planos, expõe fraqueza e deixa aliados sem chão.