A derrota foi tão grande que entrou para a história.
Ao comentar a rejeição do Senado ao nome de Jorge Messias para o STF, Gilmar Mendes descartou a tentativa de jogar a culpa sobre Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
Para o decano, essa versão simplesmente “não faz o menor sentido”.
Mas então o que explica o tombo de Lula?
O ministro afirmou que a recusa do Senado não foi apenas um alerta, mas um “chafariz” e um “refletor” da situação enfrentada pelo Planalto.
No meio da disputa, surgiu uma contradição relevante.
Gilmar criticou a resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em aceitar a indicação de Messias meses antes da votação.
Para ele, houve uma disfuncionalidade nas prerrogativas do Congresso, já que a escolha cabe ao presidente da República.
E qual foi o tamanho da derrota?
Messias foi rejeitado por 42 votos a 34, numa decisão classificada como histórica.
Isso não acontecia desde 1894. Desde a redemocratização, em 1988, todos os indicados ao STF haviam sido aprovados.
Gilmar ainda elogiou Messias, chamou o chefe da AGU de “extremamente qualificado” e disse confiar no “tino” de Lula para indicar um novo nome.
Ainda assim, o recado ficou claro: a derrota expôs, de forma brutal, a fragilidade política do governo.