O jornal O Estado de S.
Paulo publicou um editorial duro contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apontando-o como um dos principais símbolos da degradação política no Congresso.
O texto afirma que a rejeição inédita do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal — primeira derrota desse tipo em mais de um século — não foi um gesto de fortalecimento institucional, mas resultado direto de uma articulação de bastidores comandada por Alcolumbre, movida por interesses pessoais e cálculo de poder.
Segundo o Estadão, Alcolumbre transformou uma prerrogativa séria do Senado, a análise de indicações ao STF, em instrumento de disputa contra o governo Lula.
Em vez de liderar um debate baseado em critérios técnicos ou princípios republicanos, ele teria retardado de propósito o processo, esfriado o ambiente político e criado o cenário ideal para desgastar o indicado.
A sabatina, em vez de avaliação, virou palco de pressão, chantagem e barganha.
O editorial destaca que a rejeição a Messias foi construída por um grupo heterogêneo: bolsonaristas, parte da bancada evangélica e parlamentares insatisfeitos com o Supremo.
Mas, para o jornal, o fator decisivo foi a atuação direta de Alcolumbre, interessado em impor uma derrota ao Planalto depois de Lula não ter escolhido seu preferido, Rodrigo Pacheco, para a vaga no STF.
Ou seja, ressentimento pessoal e projeto de poder pesaram mais que qualquer discussão séria sobre o indicado.
O Estadão acusa Alcolumbre de usar o cargo para fins privados, mirando não só enfraquecer o governo atual, mas também se posicionar como fiador de uma maioria parlamentar para o futuro, de olho na sucessão presidencial e no comando do Senado em 2027. O resultado, segundo o jornal, é um Senado instrumentalizado, que abandona seu papel constitucional e se rende a uma lógica de “política pequena”, baseada em interesses imediatos e acordos de bastidor.
Na avaliação do editorial, Jorge Messias acabou virando peça de um jogo maior, em que a disputa entre Legislativo, Judiciário e Executivo vale mais que a análise objetiva de sua capacidade para o STF.
O episódio, para o jornal, não fortalece o Senado nem corrige rumos institucionais: apenas expõe a deterioração interna da Casa e o cinismo de quem usa a estrutura pública para projetos pessoais.
Em vez de renovação, Alcolumbre é apresentado como o retrato acabado de um Senado que se afasta da sociedade e se aproxima cada vez mais da lógica do toma-lá-dá-cá.