Gilmar Mendes negou a prorrogação da CPI do Crime Organizado no Senado, alegando que investigações não podem se tornar “inquéritos eternos” e que prorrogações sem critério ferem o devido processo legal.
A mesma preocupação, porém, desaparece quando o assunto é o inquérito das “fake news”, aberto há sete anos no STF, sem provocação do Ministério Público e com escopo cada vez mais amplo.
Em entrevistas recentes, Gilmar defendeu que esse inquérito siga indefinidamente, pelo menos até as eleições, e pediu a inclusão do ex-governador Romeu Zema após vídeos satíricos na internet.
Na prática, o inquérito das “fake news” virou um instrumento de autoproteção do Supremo e de intimidação de críticos, enquanto investigações contra o crime organizado encontram barreiras em nome de garantias processuais que não valem para quem enfrenta o poder da própria Corte.