Tarifaço de Trump expõe contradições do governo Lula no comércio exterior
Quando o alvo é a esquerda, “direitos humanos” viram protecionismo.
Quando é a direita, viram bandeira.
Os Estados Unidos anunciaram uma nova sobretaxa de até 12,5% sobre importações ligadas a produtos fabricados com trabalho forçado.
A medida atinge os 60 principais parceiros comerciais dos EUA, responsáveis por 99,4% das importações americanas.
O Brasil entrou na lista com a alíquota máxima: 12,5%.
Também foram atingidos países como China, Japão, Coreia do Sul, Tailândia, Austrália, Nova Zelândia, Singapura e a própria União Europeia.
Indignação seletiva: o Planalto classificou as tarifas como “completamente arbitrárias e injustificadas” e prometeu acionar a Lei da Reciprocidade e levar o caso à OMC.
Em nota, a Secretaria de Comunicação da Presidência acusou os EUA de “manipular um tema caro aos direitos humanos” para justificar uma política comercial protecionista.
O governo ainda ressaltou que o Brasil é signatário de 66 convenções da OIT, enquanto os EUA ratificaram apenas 10, tentando se colocar como exemplo de compromisso trabalhista.
- União Europeia: diz ver a medida “de forma positiva” por estar dentro do teto de 15%, mas questiona a justificativa ligada a trabalho forçado.
- China: repete que é contra “todas as formas de tarifas unilaterais” e fala em guerra comercial.
- Japão: protesta e diz que já tinha acordo para tarifa de 10%.
- Austrália e Nova Zelândia: chamam a medida de injustificada e prejudicial ao comércio.
A justificativa oficial dos EUA é clara: combater produtos ligados a trabalho forçado.
Ou seja, usar o peso do mercado americano para pressionar cadeias produtivas suspeitas mundo afora.
Quando esse discurso vem da esquerda global, é aplaudido como “defesa dos direitos humanos”.
Quando parte de um governo alinhado a Trump, vira automaticamente “protecionismo”, “manipulação” e “ataque injustificado”.
A pergunta incômoda é simples: por que o governo Lula reage com tanta força contra Washington, mas é bem mais suave quando o assunto são regimes aliados acusados de exploração e violações trabalhistas?
Na prática, a sobretaxa de 12,5% encarece produtos brasileiros nos EUA e pressiona exportadores.
Em vez de discutir competitividade, produtividade e segurança jurídica, o governo preferiu o caminho do confronto político e do discurso vitimista.
Enquanto isso, outros países tentam negociar exceções, ampliar isenções e garantir previsibilidade.
A União Europeia, por exemplo, destacou que o tarifaço respeita o teto já combinado de 15% e quer manter a estabilidade do acordo.
O Brasil, porém, escolheu o tom de ataque, acusando Washington de manipular o tema do trabalho forçado – justamente uma pauta que a esquerda costuma usar contra adversários internos e governos conservadores.
O governo promete retaliação com base na Lei da Reciprocidade e levar o caso à OMC.
A disputa tende a se arrastar, enquanto exportadores brasileiros lidam com mais custo, mais incerteza e menos espaço para competir.
No fim, o tarifaço de Trump não expõe só o embate comercial.
Ele escancara a incoerência do discurso: quando a pauta é usada contra a direita, é “defesa dos trabalhadores”; quando atinge governos de esquerda e seus parceiros, vira “manipulação” e “ataque injusto”.