O governo Lula agora corre para denunciar os EUA na OMC justamente depois de levar dois tarifaços seguidos e ver o Brasil virar um dos países mais atingidos por sobretaxas americanas.
A pergunta que muita gente faz é: por que só reagir agora?
Essa pergunta tem resposta direta: o Planalto apostou pesado na narrativa de que a volta de Lula traria “respeito internacional” automático, especialmente com a saída de Trump e a chegada de Biden.
Confiou na política e na foto, não na força real de negociação.
Outra dúvida que explode é: por que Lula não evitou esse tarifaço?
Porque os EUA estão usando instrumentos unilaterais antigos, criados desde os anos 70, que dão a eles poder para subir tarifa com base em critérios internos, como alegação de trabalho forçado.
Esses mecanismos são muito menos vulneráveis a contestação rápida na OMC, o que deixa o Brasil com poucas armas imediatas.
Muita gente também pergunta: OMC ainda serve pra alguma coisa?
Serve, mas não como o governo vende.
O mecanismo de solução de controvérsias ainda funciona na primeira instância, com painéis que podem declarar a ilegalidade das tarifas.
Isso dá base jurídica para o Brasil retaliar de forma legal no futuro.
Só que, sem o Órgão de Apelação, travado desde 2019 pelo veto dos próprios EUA à nomeação de juízes, transformar razão em resultado ficou muito mais lento.
Outra questão que o público se faz é: por que o órgão está parado?
Porque os EUA, desde o governo Obama, reclamam que a OMC estaria extrapolando funções.
Como não foram atendidos, passaram a bloquear a recondução e a escolha de novos juízes.
Resultado: o órgão ficou sem o número mínimo para julgar.
Ou seja, o mesmo país que agora tarifa pesado o Brasil é o que asfixiou a última instância que poderia acelerar uma vitória brasileira.
Muitos se perguntam também: Brasil não tinha plano B?
Até tentou.
O país entrou num arranjo paralelo, o MPIA, junto com União Europeia, China e outros, para criar uma espécie de segunda instância provisória via arbitragem.
Mas aí vem o ponto central: os EUA não participam desse arranjo.
Sem eles dentro, esse plano B não resolve o conflito específico com Washington.
Outra pergunta incômoda é: por que Lula fala grosso, mas não reage duro?
Porque o próprio governo admite que medidas mais pesadas de retaliação estão “na mesa”, mas não devem ser usadas agora.
Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a prioridade é negociar, ampliar a lista de exceções e evitar escalada.
E, como apontam economistas, o calendário eleitoral brasileiro pesa: decisões mais duras tendem a ser empurradas para depois de 2026.
O público também quer saber: essas tarifas vão quebrar o Brasil?
O impacto agregado deve ser limitado, porque cerca de 85% das exportações brasileiras aos EUA entraram na lista de exceções.
Mas isso não muda o fato político: parte relevante das vendas brasileiras pode enfrentar sobretaxa total de até 37,5%, o que atinge setores específicos, margens de lucro e competitividade.
Outra dúvida recorrente é: Lula não prometeu respeito lá fora?
Prometeu, e essa é a ferida exposta.
A narrativa de que bastava “tirar Bolsonaro” para o Brasil ser abraçado pelo mundo caiu diante da realidade de interesses americanos.
Os EUA não estão olhando para discurso progressista, mas para sua própria agenda econômica e regulatória.
Muita gente pergunta ainda: denunciar na OMC resolve rápido?
Especialistas deixam claro: é um caminho importante, mas de médio e longo prazo.
Primeiro vem a fase de consultas diplomáticas.
Se não der certo em 60 dias, o Brasil pede um painel.
Esse painel pode até dar vitória ao país, mas, sem apelação funcionando, a execução política e prática disso é lenta e cheia de brechas.
Por fim, a pergunta que fica é: quem paga a conta dessa estratégia?
Quem exporta, produz e gera emprego no Brasil sente o baque imediato.
Enquanto isso, o governo tenta equilibrar discurso duro para a base de esquerda com cautela extrema para não romper com Washington.
O resultado é um cenário em que Lula corre para a OMC, mas sabe que a verdadeira saída continua dependendo de negociação direta com os EUA – exatamente o tipo de jogo de poder que desmonta a fantasia de que “liderança global” se conquista só com narrativa.