O governo Lula decidiu: a Lei da Reciprocidade Econômica contra os EUA vai ficar, na prática, no congelador até depois da eleição.
Enquanto o tarifaço americano já está batendo na porta do produtor brasileiro, o Planalto admite que não pretende aplicar nenhuma resposta concreta antes de outubro.
Ou seja: Lula anunciou que ia reagir, soltou nota dura, falou em acionar o instrumento “de imediato”, mas agora vem o recuo silencioso.
A lei foi criada justamente para isso – responder a barreiras unilaterais – e, quando chega a hora de usar, o governo prefere esperar o clima eleitoral passar.
Muita gente se pergunta: "Por que Lula não reage agora?
" A resposta oficial é técnica: o governo diz que ainda está mapeando o impacto do tarifaço, que são cerca de 10.000 códigos de produtos, que é tudo muito complexo, que precisa ouvir setores, calcular prejuízo, negociar.
Na prática, o recado é outro: nada de confronto real com Washington antes das urnas.
Outra dúvida explode entre empresários: "Quem perde com essa demora toda?
" Perde o exportador brasileiro que já está sob incerteza, sem saber se o governo vai defender de fato seus interesses ou só usar a lei como peça de discurso.
Enquanto isso, os EUA seguem com suas sobretaxas, e o Brasil fica preso em “estudos técnicos” sem prazo para virar ação.
O discurso de campanha de Lula sempre foi de “soberania”, “Brasil altivo”, “não vamos aceitar imposição”.
Agora, diante de um tarifaço pesado, o que se vê é cálculo político.
O próprio governo admite que não faz sentido antecipar uma reciprocidade que pode “ficar defasada” dependendo do resultado das eleições aqui e lá.
Em outras palavras: tudo gira em torno do jogo eleitoral, não da urgência do produtor.
Muitos conservadores olham para isso e pensam: "Cadê a tal coragem contra os EUA?
Agora, com um governo americano que também joga pesado no comércio, o Planalto prefere apostar em tempo, com medo de errar a mão e atingir setores que dependem do mercado norte-americano.
Outra pergunta incômoda surge: "Lei de reciprocidade serve pra quê então?
" A norma foi aprovada com apoio até da oposição, justamente para dar ao Brasil uma arma clara contra barreiras unilaterais.
Mas, na hora H, o que se vê é a velha paralisia: rito administrativo, Camex, consulta, estudo, notificação, tudo empurrado para depois, sempre depois.
O governo ainda fala em acionar a OMC, reabrir processo, discutir a base jurídica da tarifa americana, agora apoiada na Seção 301. Mas o próprio Planalto admite que isso é mais político do que prático: o órgão de apelação da OMC está travado, uma vitória dificilmente derrubaria as tarifas.
Então, para que serve esse teatro internacional se a resposta concreta continua parada?
O produtor se pergunta, com razão: "Quem defende o exportador brasileiro hoje?
" Empresários já alertaram para o risco de um “tiro no pé” se o Brasil retaliar sem cuidado, porque alguns setores não têm para onde correr fora dos EUA.
Em vez de construir uma estratégia clara, o governo usa esse medo como justificativa para não agir – e o resultado é o pior dos mundos: tarifaço lá, incerteza aqui.
Mais uma questão que incomoda: "Por que tudo vira cálculo eleitoral?
" O próprio governo admite que tanto Brasil quanto EUA devem esperar o resultado das eleições para decidir os próximos passos.
Ou seja, a vida real de quem produz, exporta e gera emprego fica subordinada ao calendário político.
A economia vira refém da urna.
E a tal “soberania”?
" Lula vendeu a imagem de líder que enfrentaria potências, que não aceitaria pressão.
Mas, diante de um tarifaço concreto, a reação é tímida, lenta e cheia de condicionais.
A lei que poderia ser usada de forma firme vira ameaça vazia, guardada na gaveta até que o cenário político fique mais confortável.
Outra pergunta ecoa nas redes: "Por que tanta demora se o prejuízo cresce?
" O governo diz que ainda não sabe o tamanho real do dano, que precisa identificar item por item, que é um trabalho lento.
Enquanto isso, os EUA já fizeram o que tinham que fazer: taxaram.
A assimetria é gritante – ação rápida de lá, hesitação calculada de cá.
No fim, fica a sensação de déjà-vu: "Brasil vai reagir ou só discursar?
" A lei de reciprocidade foi acionada no papel, como já tinha sido em 2025, mas, na prática, nada de contramedida efetiva.
O governo prefere apostar em notas oficiais, estudos intermináveis e processos internacionais que podem levar 7 ou 8 meses – convenientemente, depois da eleição.
Para quem está cansado de ver o Brasil apanhar no comércio internacional enquanto a esquerda fala em “defesa da indústria nacional”, essa novela é mais um capítulo de incoerência.
Muito discurso duro, muita pose de país altivo, mas, na hora de enfrentar o tarifaço americano, o que prevalece é o medo de desgaste político em ano eleitoral.