Milei acaba de subir ainda mais o tom contra Lula, o PT e o STF – e, desta vez, com uma acusação que atinge o coração da narrativa “democrática” da esquerda brasileira.
Em entrevista à Rádio Mitre, o presidente argentino afirmou que o governo Lula financiou 25% de uma campanha anti-Argentina durante as eleições de 2023, quando ele disputava a presidência contra Sergio Massa.
Segundo Milei, o objetivo era derrubá-lo e manter no poder um aliado do Foro progressista latino-americano.
Ele não falou em meia-palavra: disse que o Brasil, governado por Lula, colocou dinheiro e estrutura para tentar impedir que a Argentina se tornasse, nas palavras dele, um “farol de liberdade no Ocidente”, alinhado com Estados Unidos e Israel.
E aí surge a primeira pergunta que o público se faz: Brasil interferiu em eleição argentina?
Milei afirma que sim.
Ele diz que 25% dos recursos da campanha midiática anti-Argentina vieram do governo brasileiro e lembra que os principais assessores de Sergio Massa eram brasileiros.
Ou seja, enquanto a esquerda brasileira vive acusando “interferência estrangeira” em tudo, o próprio governo Lula teria atuado diretamente para influenciar o resultado de uma eleição em outro país.
Outra pergunta inevitável é: Lula bancou campanha contra Milei?
O presidente argentino não cita nomes de operadores, mas aponta o “governo brasileiro” como financiador.
Isso coloca Lula e o PT numa posição delicada: se negam, terão de explicar a presença de marqueteiros brasileiros na campanha de Massa; se silenciam, reforçam a suspeita de que usaram dinheiro e influência para tentar barrar um governo de direita na Argentina.
Enquanto isso, Milei também partiu para cima do STF.
Ele lembrou que Alexandre de Moraes proibiu sua visita a Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, durante sua passagem pelo Brasil.
E aí vem outra dúvida que muita gente tem: Por que Milei não pôde ver Bolsonaro?
Moraes simplesmente vetou o encontro, sem que houvesse qualquer crime em uma visita entre dois líderes políticos.
Milei classificou Bolsonaro como “amigo preso injustamente” e comparou o caso com Lula: o petista pôde visitar Cristina Kirchner, condenada por corrupção, em seu apartamento na Argentina, sem qualquer impedimento judicial.
Daí nasce outra pergunta incômoda: STF pesa a mão só na direita?
Os fatos falam por si: Lula, condenado e depois beneficiado por decisões do próprio STF, circula livremente, visita aliados condenados em outros países e é tratado como estadista.
Já Bolsonaro, alvo constante de decisões monocráticas, não pode sequer receber um presidente estrangeiro em casa.
A sensação de dois pesos e duas medidas é inevitável.
Milei ainda ampliou o ataque e disse que México e Partido Democrata dos EUA também financiaram essa campanha contra ele.
Isso levanta outra questão: Esquerda internacional coordena perseguição?
Segundo Milei, sim.
Ele afirma que líderes progressistas não aceitam que ideias de liberdade, redução do Estado e alinhamento com EUA e Israel funcionem na prática.
Por isso, tentam sufocar qualquer governo que fuja da cartilha globalista.
Enquanto Milei fala grosso, o Itamaraty reage com a velha fórmula burocrática: convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas, tentando passar a imagem de “indignação diplomática”.
Mas o que o público quer saber é: Itamaraty defende Brasil ou defende Lula?
Na prática, a chancelaria de Lula parece mais preocupada em blindar a imagem do presidente e do STF do que em esclarecer, com transparência, se houve ou não uso de dinheiro público brasileiro em campanha estrangeira.
Nenhuma explicação detalhada, nenhum dado aberto, apenas o ritual de sempre: nota oficial, pose de ofendido e silêncio sobre o conteúdo das acusações.
Do lado argentino, até adversários de Milei tentam se descolar da crise.
O governador peronista Axel Kicillof correu para dizer que as falas de Milei não representam o povo argentino e que o Brasil é parceiro comercial importante.
Mas isso não responde à pergunta central: Quem mandou dinheiro contra Milei?
Se Milei estiver mentindo, Lula poderia desmentir com números, documentos e transparência total.
Se não faz isso, alimenta a desconfiança de que houve, sim, interferência política e financeira.
E o público brasileiro, que paga a conta, tem todo o direito de perguntar: Dinheiro público foi usado em eleição?
Além disso, a comparação feita por Milei entre Lula e Bolsonaro expõe outra ferida aberta: Por que Lula pode tudo e Bolsonaro nada?
Lula, chamado de “presidiário” e “ladrão” por Milei, foi condenado por corrupção, voltou ao poder com ajuda de decisões do STF e hoje posa de guardião da democracia.
Bolsonaro, por sua vez, é tratado como inimigo interno, com direitos políticos e civis sendo restringidos em série de decisões judiciais.
Quando um presidente estrangeiro tenta visitá-lo, o STF barra.
No fim, a pergunta que ecoa é: Quem realmente ameaça a democracia hoje?
Um presidente que denuncia interferência, cobra coerência e aponta o uso de dinheiro estatal para manipular eleições alheias?
Ou um sistema político-judicial que se protege, cala, censura, escolhe quem pode falar, quem pode visitar quem e quem pode disputar o poder?
Milei pode ser explosivo, pode ser duro nas palavras, mas colocou Lula, o PT e o STF contra a parede.
Se o governo brasileiro não explicar, com clareza, de onde veio e para onde foi cada centavo envolvido na eleição argentina, a narrativa de “defensores da soberania e da democracia” desmorona de vez.
E aí fica a última pergunta que não quer calar: Lula vai responder ou se esconder?
Enquanto essa resposta não vem, a crise cresce, a desconfiança aumenta e a sensação de que a esquerda faz nos bastidores exatamente aquilo que acusa os outros de fazer só se fortalece – no Brasil, na Argentina e no resto do continente.