Um assassinato em 2022 virou hoje o principal combustível da guerra política no Maranhão – e o inquérito está justamente nas mãos do ministro do STF Flávio Dino, ex-governador do estado.
O homicídio do empresário João Bosco Sobrinho, que deveria ser apenas caso de polícia, virou palanque, narrativa e arma eleitoral entre grupos que ontem eram aliados e hoje se atacam sem dó.
O que está acontecendo exatamente agora?
A Justiça maranhense condenou Gilbson Cutrim a 13 anos de prisão como executor do crime.
Ele estava em regime fechado desde 2022, mas em maio deste ano Flávio Dino autorizou a progressão para prisão domiciliar.
Pouco depois, já em casa, Gilbson gravou um vídeo levantando suspeitas contra aliados do atual governador Carlos Brandão (MDB), incluindo o secretário Raimundo Cutrim e o presidente do TCE-MA, Daniel Brandão, sobrinho do governador.
É coincidência demais para ignorar?
A investigação, que começou no STJ apurando possível cobrança de propina ligada a Daniel Brandão, subiu para o STF após a defesa de Gilbson alegar interferência política e omissão em pedidos.
O caso caiu justamente com Flávio Dino, que governou o Maranhão, rompeu e depois se reaproximou de figuras centrais desse mesmo tabuleiro.
Como não desconfiar desse roteiro?
Agora, o inquérito é usado como arma na pré-campanha ao governo do estado.
O vice-governador e pré-candidato Felipe Camarão (PT), ex-aliado de Brandão, passou a explorar publicamente as falas de Gilbson contra o grupo do governador.
De outro lado, Brandão acusa “narrativas manipuladas” surgidas depois que ele se afastou de um grupo que, segundo ele, queria se manter no poder “de maneira impositiva”.
Quem está usando quem nesse caso?
Dino, como relator, mandou prender em regime domiciliar e afastar do cargo o secretário Raimundo Cutrim, por suspeita de obstrução de Justiça.
Foram apreendidas 26 armas em endereços ligados a ele.
A base da decisão inclui um áudio em que Cutrim supostamente pede à família de Gilbson que mude depoimentos para não ligar o assassinato a Daniel Brandão.
Enquanto isso, Daniel diz que repudia qualquer tentativa de associar seu nome a crimes, fala em falsas acusações e registra boletim de ocorrência por ameaças e extorsão.
Raimundo Cutrim, delegado federal aposentado, responde dizendo que as novas versões de Gilbson surgiram anos depois da condenação e estão sendo exploradas politicamente.
Por que tudo explode só em ano eleitoral?
A pergunta que o brasileiro conservador se faz é simples: por que um inquérito de homicídio, com suspeita de propina e guerra de versões, está tão misturado com disputa de poder, reaproximação de velhos aliados e cálculo eleitoral?
Flávio Dino alega que não está legalmente impedido: não é parente, não se considera amigo íntimo ou inimigo dos envolvidos e não foi parte em ações anteriores.
Mas, na prática, ele foi governador do Maranhão, apoiou Carlos Brandão em 2022, rompeu com o senador Weverton Rocha, depois se reaproximou, e agora julga um caso que atinge justamente esse círculo de poder.
Isso é Justiça ou é política?
O próprio Dino, em decisão sob sigilo, escreveu que a investigação apura possível envolvimento de Weverton com organização criminosa ligada à nomeação de pessoas em órgãos públicos, para garantir impunidade em crime de homicídio qualificado.
Weverton nega tudo, lembra que era adversário de Brandão e de Dino na eleição de 2022 e diz que tentam envolvê-lo num inquérito ao qual nem teve acesso.
Por que sempre o mesmo círculo de poder?
O que chama atenção é o padrão: os mesmos nomes, os mesmos grupos, os mesmos cargos – governador, TCE, senador, ministro do STF – todos girando em torno de um caso que deveria ser tratado com máxima isenção.
A esquerda fala em “instituições funcionando”, mas o cidadão olha e vê um homicídio sendo usado como munição de campanha.
Quem protege quem nesse tabuleiro?
Enquanto isso, o governador Brandão diz que nunca teve processos em toda a carreira e que, curiosamente, tudo começou em 2024, depois que ele se afastou de um grupo que queria se manter “permanentemente” no poder.
Daniel Brandão fala em estratégia deliberada para destruir sua honra.
Gilbson, o condenado, diz que foi pressionado a tirar o nome da família Brandão dos depoimentos.
E Dino, no centro de tudo, não comenta porque o caso está em andamento.
Até quando o STF será árbitro e jogador?
Para quem acompanha de fora, a sensação é de déjà vu: o Supremo, mais uma vez, entra no coração de uma disputa política local, com um ministro diretamente ligado ao estado, aos personagens e ao histórico de alianças.
A direita é tratada como suspeita por qualquer coisa, mas quando é a esquerda brigando entre si, tudo vira “divergência interna” e “debate democrático”.
Por que a esquerda normaliza esse cenário?
O eleitor maranhense, e o brasileiro em geral, está cansado.
Cansado de ver assassinato virar palanque, inquérito virar arma, delação virar moeda política e tribunal supremo virar palco de guerra eleitoral.
Cansado de ouvir discurso de moralidade enquanto o jogo real é por poder, foro, controle de instituições e blindagem de aliados.
Quem vai responder por esse uso político da morte?
Enquanto ninguém responde, o caso João Bosco Sobrinho segue sendo empurrado de instância em instância, de grupo em grupo, de narrativa em narrativa.
E a pergunta que fica é: quando a Justiça vai ser maior que o jogo?
Agora, as 10 perguntas que o público se faz ao ler tudo isso:
1. Quem realmente manda nesse inquérito?
Resposta: Formalmente, o relator é Flávio Dino no STF, mas politicamente o inquérito é disputado por todos os grupos que querem usar o caso para atingir adversários no Maranhão.
2. Por que o caso explodiu justamente agora?
Resposta: Porque o estado vive pré-campanha para o governo, ex-aliados romperam e o inquérito virou munição perfeita para desgastar o grupo de Brandão e reposicionar antigos aliados de Dino.
3. A progressão de regime foi decisiva?
Resposta: Sim.
Ao sair do regime fechado para prisão domiciliar, Gilbson ganhou espaço e segurança para gravar vídeos, fazer novas acusações e recolocar o caso no centro do debate político.
4. Há prova concreta contra Daniel Brandão?
5. O governador Carlos Brandão está encurralado?
Resposta: Politicamente, sim.
Ele enfrenta processos, ataques de ex-aliados, suspeitas sobre seu grupo e precisa defender o sobrinho presidente do TCE em pleno ano eleitoral.
6. Flávio Dino deveria se declarar suspeito?
Resposta: Legalmente ele diz que não se enquadra nas hipóteses de impedimento, mas, do ponto de vista político e moral, a ligação histórica com o Maranhão levanta forte questionamento sobre sua imparcialidade.
7. O STF virou peça do jogo maranhense?
Resposta: Na prática, sim.
Quando um inquérito de homicídio com impacto eleitoral cai nas mãos de um ex-governador do mesmo estado, o Supremo deixa de ser apenas árbitro e passa a ser visto como ator político.
8. Weverton Rocha está sendo usado como bode expiatório?
Resposta: Ele afirma que sim, dizendo que nunca teve acesso ao inquérito e que seu nome é puxado por interesse político, mas a investigação ainda está sob sigilo e não há resposta definitiva.
9. A população pode confiar nesse processo?
Resposta: A confiança fica abalada quando o caso é usado em discursos de campanha, vídeos de acusados, notas oficiais e disputas internas, em vez de ser tratado com discrição e foco exclusivo na verdade.
10. Quem ganha com esse caos institucional?
Resposta: Ganham os grupos que conseguem transformar o inquérito em arma para destruir adversários e negociar poder; perde a sociedade, que vê a Justiça misturada com política e um assassinato tratado como peça de xadrez eleitoral.