Uma escola de samba homenageia Lula em pleno Carnaval, exalta o petista como “operário do Brasil”, ataca Jair Bolsonaro chamando-o de Bozo, e tudo isso às vésperas de ano eleitoral.
Agora, o Partido Novo acionou o TSE para conseguir notificar a Acadêmicos de Niterói por possível propaganda eleitoral antecipada.
E o mais curioso?
A escola simplesmente não é encontrada nos endereços oficiais.
Coincidência ou estratégia?
O Novo já tentou duas vezes notificar a escola por correspondência.
A primeira carta, enviada para o endereço registrado na Receita Federal, voltou com a mensagem de “destinatário desconhecido”.
A segunda, enviada para a quadra no centro de Niterói, retornou com a informação de que a escola havia deixado o local.
Como uma escola que desfilou na Sapucaí some assim do mapa?
Agora, o partido pediu ao TSE que um oficial de Justiça vá pessoalmente atrás da Acadêmicos de Niterói, tanto nos endereços já usados quanto no barracão da escola na Gamboa, no Rio.
A relatora, ministra Estela Aranha, já determinou as providências para tentar localizar a agremiação.
Ou seja: para cobrar responsabilidade de quem transformou Lula em enredo, a Justiça precisa literalmente sair procurando a escola de samba.
Por que escola some assim?
A escola não está formalmente localizada nos endereços usados nas notificações, o que dificulta a citação.
Isso não prova má-fé, mas levanta desconfiança sobre organização e transparência.
O TSE já havia rejeitado, em fevereiro, pedidos do Novo e do partido Missão para impedir o desfile e a presença de Lula na Sapucaí.
A justificativa foi a de que barrar previamente a apresentação seria censura a manifestação artística e cultural.
Mas a decisão não encerrou o caso: o mérito da ação sobre propaganda eleitoral antecipada ainda será julgado depois que todos forem oficialmente citados.
Por que chamam isso arte?
Porque a defesa tenta enquadrar o enredo como expressão cultural, mas o conteúdo político explícito – exaltação de Lula e ataque direto a Bolsonaro – faz muita gente enxergar propaganda disfarçada.
O enredo da Acadêmicos de Niterói tinha título claro: “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
Não é uma menção rápida, não é uma referência histórica distante.
É um enredo inteiro girando em torno da figura do atual presidente, com narrativa de esperança, heroísmo e salvação.
Ao mesmo tempo, Bolsonaro foi retratado como o palhaço Bozo.
Isso é Carnaval inocente ou palanque eleitoral com fantasia?
Isso é propaganda antecipada mesmo?
É exatamente isso que o TSE vai ter que decidir: se o enredo passou do limite da arte e entrou no terreno da promoção eleitoral antes da hora.
A escola ainda foi rebaixada no Carnaval de 2026, somando 264,6 pontos.
Politicamente, porém, o estrago já estava feito: Lula exaltado, Bolsonaro ridicularizado, e a esquerda usando mais uma vez o discurso da “cultura” para blindar sua narrativa.
Quando é a direita, qualquer gesto vira “ato antidemocrático”.
Quando é a esquerda, tudo é “manifestação artística”.
Até quando essa diferença de tratamento?
Por que sempre sobra pra direita?
A representação do Partido Novo inclui não só a escola de samba, mas também Lula e o PT como partes interessadas.
Ou seja, o processo não é apenas contra a agremiação, mas contra o uso político do Carnaval para impulsionar a imagem do presidente.
A pergunta que fica é: se fosse um enredo exaltando Bolsonaro e atacando Lula, o TSE teria chamado isso de censura ao negar o desfile?
O TSE pesa a mão igual?
Na teoria, sim.
Na prática, muitos enxergam seletividade, com decisões mais duras contra a direita e mais tolerantes com a esquerda.
A ministra Estela Aranha já deixou claro que, para ela, impedir o desfile seria censura prévia.
Mas agora o tribunal terá que enfrentar a parte mais incômoda: decidir se houve ou não propaganda eleitoral antecipada.
Se o TSE passar pano, a mensagem será clara: vale tudo para promover Lula, desde que se coloque um tamborim e uma fantasia no meio.
Por que Lula está no processo?
Porque o enredo o exaltou diretamente, e a ação questiona se isso beneficiou politicamente o presidente antes do período permitido pela lei eleitoral.
O caso também expõe outra contradição: a esquerda vive acusando a direita de “instrumentalizar” religião, eventos e redes sociais para política, mas não vê problema nenhum em transformar o maior espetáculo cultural do país em vitrine para Lula e ataque a adversários.
Quando é para bater em Bolsonaro, tudo é permitido.
Quando é para questionar Lula, vira “censura”.
Isso não é dois pesos, duas medidas?
Para grande parte do público conservador, sim.
A percepção é de um sistema que fecha os olhos para abusos da esquerda e pune com rigor qualquer movimento da direita.
Enquanto isso, o TSE segue no centro da polêmica.
Vai reconhecer que houve abuso e propaganda antecipada ou vai, mais uma vez, se esconder atrás do discurso de proteção à arte?
Vai tratar Lula como qualquer outro político ou continuar alimentando a sensação de blindagem?
O que acontece se TSE condenar?
Se o TSE entender que houve propaganda antecipada, podem ser aplicadas multas e reconhecido o abuso, o que cria um precedente importante para limitar o uso político do Carnaval.
E se o tribunal absolver tudo, o recado será outro: escolas de samba, artistas e eventos culturais estarão liberados para fazer campanha antecipada, desde que seja para o lado “certo” do espectro político.
Isso vai virar regra agora?
No fim, a pergunta que ecoa entre conservadores é simples: até quando a esquerda vai usar a cultura como escudo e o sistema vai fingir que não vê?
Até quando essa blindagem continua?
Enquanto não houver decisões firmes e equilibradas, a sensação de impunidade para a esquerda e perseguição para a direita só vai aumentar.