Um mês depois de um tenente da Rota ser baleado na cabeça em plena luz do dia, em São Caetano do Sul, o atirador apontado pela polícia continua solto.
Como explicar isso em um país que vive falando em “estado democrático de direito” e “controle da polícia”?
O tenente Ronickson Pimentel, 39 anos, irmão de Eloá, foi atacado por dois homens em uma moto enquanto estava parado no semáforo.
Ele luta pela vida desde 27 de junho.
E o principal suspeito, identificado como Hércules da Costa Siqueira, o “Golias”, simplesmente sumiu.
Quatro pessoas já foram presas por dar apoio ao grupo criminoso, seis suspeitos morreram em confrontos com a PM, a moto usada no crime foi apreendida perto de Heliópolis, o nome do atirador foi colocado na Difusão Vermelha da Interpol e o governo de São Paulo oferece R$ 50 mil de recompensa.
Mesmo assim, o homem que teria apertado o gatilho contra um tenente da Rota segue foragido.
Que mensagem isso passa para o cidadão comum?
Por que o atirador continua livre?
Porque, mesmo com operações intensas, apoio logístico do crime organizado, possíveis rotas de fuga e proteção de facções tornam a captura muito mais difícil do que o discurso oficial admite.
Como um alvo tão prioritário some?
Porque quando o criminoso tem estrutura de organização criminosa por trás, ele não foge sozinho: ele é escondido, financiado e protegido por uma rede que conhece bem as brechas do sistema.
O que isso diz sobre o Estado?
Diz que o Estado é duro no discurso, mas ainda é lento, burocrático e muitas vezes engessado na prática, enquanto o crime é rápido, articulado e não respeita nenhuma regra.
A esquerda vai defender a Rota agora?
Historicamente, setores da esquerda atacam a Rota, chamam de “violenta” e “opressora”, mas somem quando um policial é vítima de um atentado covarde, mostrando um silêncio seletivo e conveniente.
Por que tanta blindagem ao crime?
Porque durante anos se alimentou um discurso de vitimização do bandido, relativização da violência e desconfiança permanente contra a polícia, o que enfraquece o combate firme ao crime organizado.
A vida do policial vale menos?
Na prática, o policial vira alvo preferencial do crime e, muitas vezes, alvo de desconfiança política e jurídica, enquanto o bandido ganha narrativas, desculpas e até glamour em certos setores.
Cadê a tal “justiça igual para todos”?
Ela fica no discurso bonito; na realidade, quem tem estrutura criminosa, dinheiro e apoio de facção consegue se esconder, enquanto o cidadão comum fica exposto e desprotegido.
Por que o crime não teme mais nada?
O que a Interpol realmente pode fazer?
A Difusão Vermelha ajuda a alertar outros países, mas, se o criminoso estiver bem escondido dentro do próprio Brasil, o efeito é limitado e depende da eficiência das forças internas.
R$ 50 mil de recompensa resolvem?
A recompensa pode incentivar denúncias, mas, sem uma ação coordenada, rápida e sem amarras políticas e ideológicas, o dinheiro sozinho não garante a prisão de um foragido desse nível.
Enquanto isso, a família do tenente acompanha a luta dele pela vida, lembrando que essa não é a primeira tragédia: ele é irmão de Eloá, assassinada em 2008. Quantas vezes a mesma família precisa ser atingida pela violência para o sistema acordar de verdade?
O caso escancara uma realidade incômoda: se um tenente da Rota, alvo direto do crime organizado, não tem garantia de justiça rápida, o que sobra para o brasileiro comum?
Até quando o país vai aceitar ver policiais virando alvo, facções ditando o ritmo e o Estado chegando sempre depois do tiro?
Este atentado não é só contra um policial, é um recado do crime organizado testando limites.
E a pergunta que fica é simples e dolorosa: quem está realmente no comando, o Estado ou o crime?