A ministra do STF Cármen Lúcia escolheu Belo Horizonte para lançar dois livros sobre voto, democracia e solidariedade, em um evento gratuito no Tribunal de Contas de Minas Gerais.
No papel, parece um encontro acadêmico qualquer.
Na prática, o brasileiro olha e pergunta: como levar a sério um discurso de “voto e democracia” vindo justamente de quem integra a Corte mais questionada do país?
O primeiro livro se chama “Pela mão do povo: Voto e democracia no Brasil”.
Logo aí surge a contradição que incomoda muita gente: quem fala em “mão do povo” faz parte de um tribunal que, na visão de milhões, tem passado por cima da vontade popular em decisões polêmicas.
Quantas vezes o STF não foi acusado de interferir em temas que deveriam ser decididos pelo Congresso eleito?
O segundo livro, “Princípio Constitucional da Solidariedade”, fala de dignidade humana, justiça social e responsabilidade coletiva.
Mas o que o cidadão comum enxerga hoje?
Por que falar em voto agora?
Porque o tema do voto virou arma política, e ouvir isso de quem está no topo do Judiciário escancara a distância entre o discurso e a prática.
Por que STF fala em democracia?
Porque a palavra “democracia” virou escudo para justificar decisões que muitos veem como ativismo judicial e interferência em outros poderes.
Por que usar espaço público assim?
Porque transformar tribunal em palco de lançamento reforça a sensação de que instituições viraram vitrines de imagem, não apenas locais de fiscalização e controle.
Por que tanto foco na narrativa?
Porque, enquanto o povo sente insegurança jurídica, parte da elite do Judiciário investe pesado em livros, palestras e eventos para moldar a opinião pública.
Por que falar em soberania popular?
Porque é uma forma de tentar se aproximar do cidadão, mesmo quando decisões da Corte são vistas como distantes da vontade expressa nas urnas.
Por que insistir em solidariedade seletiva?
Porque o discurso de solidariedade é bonito, mas na prática muitos enxergam privilégios, blindagens e dois pesos e duas medidas.
Por que o brasileiro desconfia tanto?
Porque já viu promessas de respeito à Constituição serem quebradas na hora de julgar casos envolvendo poderosos e aliados políticos.
Por que esse evento incomoda tanto?
Porque acontece num momento em que cresce a percepção de que o STF fala demais, aparece demais e é pouco cobrado pelos seus próprios excessos.
Por que a direita reage com indignação?
Por que tudo isso parece irônico?
Porque ouvir lições de voto, democracia e solidariedade de quem está no topo do poder, num país cansado de ativismo judicial, soa como provocação.
O evento em Belo Horizonte será no auditório do Tribunal de Contas de Minas, com entrada por ordem de chegada.
Tudo muito organizado, tudo muito “institucional”.
Mas o sentimento de quem acompanha de fora é outro: mais um capítulo da construção de uma narrativa em que o STF se coloca como guardião absoluto da democracia, enquanto boa parte da população se sente calada, ignorada e tratada como detalhe.
No fim, a pergunta que fica é simples: quem fala tanto em voto e povo está realmente ouvindo o que o povo pensa sobre o STF hoje?