A notícia é simples e, ao mesmo tempo, absurda: Xuxa lota estádio em São Paulo, comemora 45 anos de carreira com um show gigante, nostálgico, cheio de hits e produção de primeira, mas o assunto que domina o debate é… o maiô que ela usou no palco.
No programa A Tarde É Sua, nesta segunda (27), Sonia Abrão ficou indignada com as críticas ao figurino da apresentadora.
O maiô, mais cavado na frente e com o bumbum “todo de fora”, virou alvo de gente acusando “erotização infantil” e atacando a idade de Xuxa, hoje com 63 anos.
Sonia não deixou barato.
Lembrou que o show “O Último Voo da Nave” é uma viagem direta aos anos 80, com Paquitas, nave espacial, Doce Mel, Ilariê e toda a estética daquela época.
E foi direta: para os anos 80, aquilo era normal, era a moda, era o contexto.
Agora, décadas depois, tentam reescrever a história com moralismo de rede social.
Por que atacam o maiô agora?
O figurino é coerente com a proposta do show, não é novidade na carreira dela e não foi feito para criança assistir sozinha em casa, mas para um espetáculo nostálgico em estádio.
Quem lucra com essa polêmica?
Quem vive de engajamento fácil, de grito moralista e de transformar figurino em escândalo, enquanto problemas reais passam batido.
É muito mais simples apontar o dedo para um maiô do que encarar o caos cultural que rola solto na internet.
Sonia Abrão ainda expôs outro ponto incômodo: o etarismo.
Muita gente não criticou só a roupa, mas o fato de Xuxa ter 63 anos e ainda usar um figurino ousado.
Ou seja, o recado é claro: querem que mulher, depois de certa idade, suma, se esconda, peça desculpa por existir.
Por que a idade de Xuxa incomoda tanto?
Porque ela continua lotando estádio, emocionando gerações e se mantendo relevante.
Isso desmonta o discurso de que mulher “vence o prazo de validade” depois de certa idade.
A crítica vira desculpa para atacar sucesso e autonomia.
Por que chamam isso de erotização infantil?
Porque distorcem o passado para caber na narrativa do presente.
O show resgata a estética dos anos 80, quando a própria TV exibia roupas muito mais ousadas em programas de auditório.
Agora, fingem que tudo sempre foi puritano e que o problema começou hoje.
Enquanto isso, Sonia lembrou o óbvio: o foco deveria estar no tamanho do evento, no público de cerca de 50 mil pessoas, na força da carreira de 45 anos, na emoção do discurso final de Xuxa.
Mas não: preferem reduzir tudo ao bumbum da artista.
Por que ignoram o sucesso do show?
Porque é mais fácil atacar um detalhe do que reconhecer a dimensão de uma trajetória.
A crítica ao figurino rende mais clique do que falar de trabalho, esforço e legado.
Tem algo errado nesse debate?
Tem, e muito.
Quando um maiô de show vira “caso grave” e conteúdos realmente pesados, explícitos e acessíveis a qualquer criança na internet não recebem a mesma fúria, fica claro que a indignação é seletiva.
Por que a moral é tão seletiva?
Quando o alvo é famoso, mulher e símbolo de gerações, a patrulha moral corre.
Quando o problema é estrutural, silenciam.
Por que atacam Xuxa e não o sistema?
Porque é mais fácil personalizar o problema em uma figura conhecida do que cobrar plataformas, políticas públicas e responsabilidade de quem realmente controla o conteúdo que chega às crianças.
No fim, a cena é essa: Xuxa, aos 63, emocionada, encerrando um show gigante, celebrando 45 anos de carreira; e uma parte da internet reduzindo tudo a um maiô cavado.
Sonia Abrão, ao menos, verbalizou o que muita gente pensa: “Ah, jura que vocês estão falando esse tipo de coisa?
Para…”.
O que isso revela sobre o Brasil?
Revela um país cansado de polêmica vazia, de moralismo de ocasião e de gente que escolhe o alvo mais fácil para posar de guardião da moral.
Enquanto isso, a cultura segue sendo usada como palco de guerra ideológica, e o debate sério sobre proteção real à infância continua em segundo plano.
Até quando vão distorcer tudo?
Até o público começar a perceber a jogada, questionar a seletividade e parar de cair em escândalo fabricado.
Porque, no meio de tanta gritaria, o que menos importa para alguns é a verdade dos fatos – e o que mais vale é o barulho que isso gera.