Um influenciador digital, Diogo Calincani, foi flagrado em vídeo agredindo duas garis de 56 e 40 anos em Santana do Manhuaçu, Minas Gerais, enquanto elas apenas trabalhavam limpando a rua.
Ofensa, humilhação, empurrão no peito, queda no chão, puxão de cabelo, blusa rasgada, tapa no rosto e uma das vítimas desmaiando.
E depois de tudo isso, ele aparece em frente a uma delegacia pedindo “perdão” e culpando a “muita bebida alcoólica” e a falta de remédio.
Até quando isso vai ser tratado como erro de momento?
As trabalhadoras, servidoras municipais, acreditam que as ofensas tiveram motivação política, já que foram chamadas de “cachorra do Paulinho”, em referência ao prefeito, além de “chifruda” e outras humilhações.
Ou seja: além de agredir fisicamente, o influenciador tentou desmoralizar quem está na ponta, quem acorda cedo para limpar a cidade, enquanto ele vive de like e exposição.
Que tipo de exemplo é esse para 390 mil seguidores?
No vídeo que circula nas redes, uma das garis tenta ignorar as provocações e seguir o serviço.
Ele toma a vassoura da mão dela, joga no chão, parte para cima e empurra com força.
A outra tenta ajudar a colega caída e também é atacada.
Segundo o boletim de ocorrência, teve puxão de cabelo, roupa rasgada e tapa no rosto.
Uma delas passou mal, desmaiou e precisou ser levada ao pronto atendimento.
E ainda assim, o agressor aparece depois dizendo que está “arrependido” e “a favor da justiça”.
Será que alguém ainda cai nesse discurso pronto?
A gari Marly Geraldo, de 56 anos, resumiu o sentimento de muita gente ao ouvir o vídeo de desculpas: “Desculpas é pouco”.
E é exatamente isso.
O Brasil está cansado de ver gente com visibilidade fazer o que quer, gravar um vídeo bem ensaiado e achar que tudo se resolve com um “foi feio o que eu fiz”.
Onde fica a responsabilidade real pelos atos?
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que investiga o caso, ouvindo envolvidos e fazendo diligências.
Mas a pergunta que ecoa é: vai dar em quê?
Vai ser mais um caso de agressão filmada, revolta nas redes, pedido de perdão emocionado e, depois, esquecimento?
Ou finalmente alguém com milhões de visualizações vai sentir que a lei também vale para ele?
Enquanto isso, as vítimas, que nunca tinham tido problema com o agressor, seguem com a marca da violência e da humilhação.
Elas não têm assessoria de imagem, não têm vídeo editado em frente à delegacia, não têm perfil com centenas de milhares de seguidores.
Têm apenas a verdade do que viveram e a coragem de dizer que “desculpas é pouco”.
Quantas vezes o trabalhador humilde vai precisar ser pisado para que a justiça funcione de verdade?
Por que influenciador fez isso?
Até quando agressão terá desculpa?
Até a sociedade e a Justiça pararem de aceitar vídeo de perdão como solução e começarem a cobrar punição exemplar.
Bebida justifica violência contra mulheres?
Não.
Bebida não transforma inocente em agressor, apenas revela o que já está dentro da pessoa e nunca pode ser usada como escudo.
Por que vítimas rejeitaram o perdão?
Porque sofreram humilhação, agressão física, desmaio e exposição pública, e sabem que um vídeo não apaga o trauma vivido.
A internet está premiando esse comportamento?
Quando dá audiência, repercussão e curiosidade sem cobrança real, acaba fortalecendo quem faz de tudo por visibilidade.
Servidores municipais viraram alvo político?
Sim, as próprias vítimas acreditam que foram atacadas por serem ligadas à prefeitura, misturando ódio político com covardia pessoal.
A polícia vai enquadrar o agressor?
A investigação está em andamento, mas a pressão pública pode ser decisiva para que o caso não termine em punição branda.
Por que o Brasil está tão cansado disso?
Porque virou rotina ver gente famosa pedindo desculpa em vídeo depois de passar dos limites, sem sentir de verdade o peso da lei.
Vídeo de perdão resolve agressão grave?
Não.
No máximo mostra que o agressor percebeu a repercussão, mas não substitui processo, condenação e reparação às vítimas.
Quem protege as trabalhadoras humildes hoje?
Na prática, apenas a lei bem aplicada, a pressão da opinião pública e a coragem delas de não aceitarem ser silenciadas novamente.