Boulos decidiu engrossar o tom e avisou: o governo Lula vai insistir para votar o fim da escala 6x1 antes das eleições, custe o que custar.
Não é mais nem disfarce.
A própria base do Planalto já admitia que a PEC só andaria depois do pleito, mas Boulos correu para dizer o contrário e tentar salvar uma das principais bandeiras eleitorais de Lula.
O que isso mostra de verdade?
Mostra que o trabalhador virou peça de marketing.
A PEC do fim da jornada 6x1 está parada no Senado desde maio, travada na CCJ, sem relator, sem data, sem nada.
Mas, na hora de falar para a imprensa, o governo corre para posar de defensor do povo.
Quando é para negociar de verdade, entra a velha briga de poder entre Lula, Davi Alcolumbre e aliados.
Por que tanta pressa agora?
Porque Lula queria subir no palanque dizendo que acabou com o 6x1. Sem a votação, a narrativa desmorona.
E Boulos, que sempre vendeu o discurso de defensor dos mais pobres, agora aparece como o porta-voz da pressão política, tentando arrancar uma votação em clima de campanha.
É coincidência?
Crise com Alcolumbre explica tudo?
A PEC está travada principalmente pela crise entre o governo e Davi Alcolumbre.
O senador se irritou quando Lula preferiu Jorge Messias para o STF em vez do nome apoiado por ele.
Desde então, passou a retaliar, segurando pautas importantes e liberando projetos que aumentam gastos do governo.
No meio desse jogo de vaidades, quem fica no prejuízo é o trabalhador que o PT diz defender.
Onde fica o tal ‘diálogo’?
Enquanto ministros como José Guimarães e Luiz Marinho já admitiam que a votação ficaria para depois da eleição, Boulos veio a público para dizer o contrário.
Ou seja: nem dentro do próprio governo há consenso.
Fica claro que o que manda não é planejamento sério, é cálculo eleitoral.
Veja as perguntas que todo mundo está fazendo:
1. Isso é defesa do trabalhador?
Não.
É uso político de uma pauta trabalhista para tentar garantir palanque e discurso pronto na campanha, enquanto a PEC continua empacada no Senado.
2. Por que só agora essa urgência?
Porque a eleição se aproxima e o governo precisa mostrar algum “troféu” para o eleitorado, já que a promessa de mudança não se cumpriu como o discurso vendia.
3. Quem realmente trava a PEC?
Hoje, o principal freio é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que não indicou relator nem colocou a proposta para andar na CCJ, em meio à sua queda de braço com Lula.
4. O trabalhador está sendo usado?
A pauta é apresentada como grande conquista social, mas na prática virou moeda de troca em disputa por poder entre Planalto e Senado.
5. O governo tem maioria garantida?
Nem isso está certo.
Governistas admitem que o cenário é incerto e que a votação pode ser empurrada para o fim do ano, bem longe do discurso de “prioridade absoluta”.
6. Boulos fala por todo o governo?
Não.
Ele contradiz outros ministros que já falavam em pós-eleição.
Isso mostra desorganização interna e disputa por protagonismo dentro da própria esquerda.
7. A promessa pode virar só propaganda?
Pode.
Sem votação efetiva, o fim do 6x1 corre o risco de ser usado apenas como slogan de campanha, sem mudança real na vida de quem trabalha.
8. A crise com Alcolumbre é só vaidade?
A briga por indicação ao STF virou motivo para travar PECs e pautas que afetam milhões de brasileiros.
9. O governo pensa no país inteiro?
Pelas atitudes, pensa primeiro em eleição, em narrativa e em blindar aliados.
O interesse do trabalhador aparece só no discurso.
10. A esquerda não dizia defender diálogo?
Dizia.
Mas agora aposta em pressão, ameaça política e corrida contra o relógio eleitoral, mostrando a contradição entre o que fala e o que faz.
Enquanto isso, o Brasil assiste ao mesmo filme de sempre: governo prometendo mundo e fundos, Senado segurando, acordos de bastidor mandando em tudo e o trabalhador servindo de escada para projeto de poder.
Até quando o fim do 6x1 será promessa de palanque e não decisão séria, debatida sem chantagem eleitoral?