O partido Missão, criado pelo MBL, decidiu lançar Renan Santos à Presidência como se fosse atração principal de festival: ingressos escalonados, área VIP, open bar e pacote de até R$ 7.014 para ficar na frente do palco, almoçar com dirigentes e tirar foto com o presidenciável.
Política ou show business?
No Komplexo Tempo, em São Paulo, o congresso do Missão virou vitrine dessa “nova política” que sempre disse combater privilégios e a velha forma de fazer campanha.
Agora, para chegar mais perto de Renan Santos, o militante precisa de cartão de crédito forte e disposição para parcelar ingresso de mais de R$ 7 mil.
É isso mesmo que chamavam de renovação?
A entrada mais barata custa R$ 94 e deixa o apoiador lá atrás, na área geral, atrás do setor VIP.
Já os pacotes intermediários, a partir de R$ 1.014, prometem mezanino, vista privilegiada e open bar.
No topo da pirâmide está o pacote “Onça”, de R$ 7.014 no terceiro lote, com direito a assento em frente ao palco, acesso à área VIP, almoço com a cúpula e sessão de fotos com Renan no dia seguinte.
E ainda há previsão de quarto lote por R$ 8.014. A pergunta que não quer calar: desde quando participar de política virou experiência premium?
POLÍTICA VIROU SHOW
Onde foi parar o discurso de proximidade com o povo, de militância de rua, de combate a privilégios?
O mesmo grupo que sempre apontou o dedo para a “casta política” agora cria sua própria casta de camarote, com pulseira VIP e preço de ingresso que a maioria do brasileiro nem sonha em pagar.
Quantos trabalhadores conseguem separar R$ 7 mil para ver um lançamento de candidatura?
CAMAROTE DE LUXO
Por que ingresso tão caro assim?
Porque o partido escolheu um modelo de evento de festival, com setores, experiências e benefícios exclusivos, e colocou preço alto para quem quiser acesso privilegiado ao presidenciável e à cúpula.
Isso é realmente acessível ao povo?
Não.
Os valores de R$ 1.014, R$ 7.014 e até R$ 8.014 estão muito acima da realidade da maioria dos brasileiros, que mal conseguem pagar contas básicas.
Quem ganha com esse formato?
Ganha quem pode pagar para estar perto, almoçar com dirigentes e tirar foto com o candidato; quem não pode, fica na área geral, distante do centro das decisões.
NOVA POLÍTICA CARA
O Missão oficializou a chapa em convenção virtual em 20 de julho, alegando motivos de segurança e planejamento da Polícia Federal, já que Renan diz ter recebido ameaças de facções criminosas em vários estados.
Segurança é assunto sério, mas isso justifica transformar o lançamento presencial em um grande evento pago, com pacotes dignos de show internacional?
Isso é coerente com o discurso?
Não parece.
Quem sempre falou em transparência, combate a privilégios e proximidade com a base agora vende acesso ao candidato como produto de luxo.
O povo se sente representado?
Muitos conservadores e liberais que acreditaram em renovação política olham para esse modelo e veem mais do mesmo: distância, elitização e política para poucos.
Quem é o público-alvo real?
Na prática, o público-alvo passa a ser quem tem dinheiro para comprar ingresso caro, não o cidadão comum que enfrenta inflação, desemprego e impostos altos.
INGRESSO DE R$7MIL
O pacote “Onça” escancara a contradição: enquanto o brasileiro conta moeda para pagar mercado, o partido vende por R$ 7 mil o privilégio de sentar na frente, circular na área VIP e ainda garantir sessão de fotos com o presidenciável.
Isso é campanha ou é experiência de fã-clube?
Por que cobrar por foto e almoço?
Porque o evento foi desenhado como produto, em que cada benefício tem preço, inclusive a proximidade com o candidato e com a cúpula partidária.
Isso aproxima ou afasta o eleitor?
Afasta quem não tem dinheiro e reforça a sensação de que a política virou clube fechado para quem pode pagar caro.
PROMESSAS X REALIDADE
O Missão e o MBL sempre se venderam como alternativa à velha política, criticando privilégios, conchavos e distância entre eleitos e eleitores.
Agora, o que se vê é um lançamento presidencial com cara de festa exclusiva, onde a proximidade com o candidato tem tabela de preço.
Quantas vezes a direita já foi atacada por muito menos?
Isso ajuda a direita conservadora?
Não.
Esse tipo de gesto alimenta a narrativa da esquerda de que todos são iguais e que ninguém representa de fato o povo trabalhador.
É esse o exemplo para 2026?
Se a ideia era mostrar algo diferente, o recado que chega ao eleitor é de mais elitização e menos contato real com quem está na base.
QUEM VAI PAGAR
No fim, fica a sensação de cansaço: o brasileiro está exausto de ver a política se afastar da vida real.
Enquanto muitos contam centavos para o ônibus, a “nova política” vende ingresso de R$ 7 mil para almoço e foto com candidato.
Até quando a classe política – velha ou nova – vai tratar o povo como plateia distante?
A política virou negócio lucrativo?
Quem está realmente do lado do povo?
Quem mantém o pé no chão, fala com o brasileiro comum sem cobrar ingresso de luxo e não transforma a política em show para poucos privilegiados.