Petistas divulgaram um vídeo em que Lula aparece com dez dedos da mão, como se nunca tivesse perdido o dedo em acidente de trabalho, e a Justiça Eleitoral do Ceará simplesmente disse que não viu uso de Inteligência Artificial.
Enquanto isso, em Brasília, um filme de Jair Bolsonaro pode render punições graves a Flávio Bolsonaro e ao próprio ex-presidente.
Dois pesos e duas medidas mais escancarados, impossível.
O vídeo foi publicado por Camilo Santana e pelo prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, ambos do PT, para impulsionar a pré-campanha de Elmano de Freitas à reeleição no Ceará.
Nas imagens, Elmano aparece em várias situações, com transições claramente artificiais, chegando ao ponto de o governador se “transformar” em Lula.
E, como num passe de mágica, Lula surge com todos os dedos perfeitos, apagando um fato conhecido da biografia dele.
Por que Lula aparece com dez dedos?
Isso não é manipulação de imagem?
É manipulação sim: o vídeo altera um traço físico marcante de Lula, o que caracteriza uma representação artificial, mesmo que o tribunal se recuse a chamar de IA.
O desembargador Francisco Luís Rios Alves afirmou que foram usadas apenas “técnicas convencionais de edição audiovisual” e que não houve prova técnica de manipulação sintética.
Com esse argumento, rejeitou o pedido do PL para remover a postagem.
Ou seja: o dedo reaparece, a realidade some, e o problema, para a Justiça, é só quando o alvo é Bolsonaro.
Por que Bolsonaro é tratado diferente?
Porque, na prática, o sistema eleitoral tem sido muito mais rigoroso com qualquer conteúdo ligado à direita, enquanto adota uma postura bem mais tolerante com o PT e seus aliados.
Se fosse um vídeo da direita, o que aconteceria?
O mesmo Judiciário que vive falando em combate a fake news agora aceita, sem crise, um Lula “corrigido” digitalmente, com um dedo que ele nunca mais teve desde os anos 1960. Não é detalhe: é justamente esse tipo de maquiagem que abre espaço para distorcer a percepção do eleitor.
Isso não fere a confiança nas eleições?
Sim, porque o eleitor vê claramente a seletividade: quando é o PT, tudo vira “edição normal”; quando é a direita, vira caso grave, com ameaça de cassação e punições duras.
Por que a Justiça não exigiu perícia técnica?
Porque preferiu encerrar o assunto rapidamente, alegando falta de elementos mínimos, em vez de aprofundar a análise de um vídeo que claramente altera a aparência do presidente.
O tribunal ainda diz que uma análise definitiva sobre a validade da publicação será feita depois.
Mas o recado já foi dado: o vídeo segue no ar, ajudando a campanha de um governador petista, com Lula rejuvenescido e “inteiro”, enquanto o PL é derrotado no pedido de remoção.
Isso ajuda a narrativa de quem?
Ajuda diretamente o PT, que usa a imagem de Lula como peça central de campanha, mesmo que para isso precise “ajustar” a realidade com recursos digitais.
Até quando essa blindagem ao PT?
Enquanto o eleitor aceitar calado e não cobrar isonomia, a tendência é o sistema continuar apertando a direita e passando pano para exageros e truques da esquerda.
O Brasil não aguenta mais ver a lei sendo aplicada conforme o lado político.
Quando um vídeo de Bolsonaro vira ameaça de punição pesada e um vídeo de Lula com dedo “ressuscitado” é tratado como algo normal, a mensagem é clara: não é sobre tecnologia, é sobre quem está no alvo.
E o alvo, de novo, é sempre o mesmo lado.
O que o eleitor pode fazer agora?
Pode questionar, compartilhar, cobrar transparência e exigir que a Justiça Eleitoral trate PT e direita com o mesmo rigor, sem maquiagem digital, sem dedo extra e sem proteção política disfarçada de tecnicismo jurídico.