João Campos não esconde mais o jogo: o presidente nacional do PSB e ex-prefeito do Recife assumiu que sua aposta para chegar ao governo de Pernambuco é simples – colar em Lula, usar a memória do pai Eduardo Campos e carimbar a governadora Raquel Lyra como “nome de Bolsonaro”.
Ele quer Lula no palanque, de preferência só com ele, já no primeiro turno.
Lula vai mesmo entrar pesado?
Porque João Campos diz que “o palanque é nosso” e pressiona para que o presidente vá a Pernambuco no 1º turno, mesmo com aliados do PT pedindo cautela para não queimar a ponte com Raquel Lyra.
João Campos está usando Lula?
Sim.
Ele admite que aposta tudo na reeleição de Lula para inaugurar um “novo ciclo econômico” em Pernambuco e, de quebra, puxar para si os votos lulistas que hoje estão com a governadora.
Raquel Lyra é mesmo ‘nome de Bolsonaro’?
João Campos diz que todos os representantes da direita em Pernambuco estão com ela e que Flávio Bolsonaro “nunca votaria” nele.
Ou seja, tenta colar na governadora o rótulo bolsonarista para capturar o eleitor de esquerda.
Por que tanta pressa pelo palanque?
Porque as pesquisas mostram Raquel Lyra na frente, com 43% contra 37% de João Campos.
Ele sabe que, sem Lula pedindo voto diretamente, fica mais difícil virar esse jogo.
O que João quer tirar de Raquel?
A estratégia é simples: dizer que a “neutralidade” dela é falsa e que o verdadeiro palanque de Lula é o dele.
Isso é coerente com o histórico do PSB?
O próprio PSB já admitiu que errou ao apoiar o impeachment de Dilma.
Agora, João Campos tenta reescrever a história, dizendo que o problema nunca foi com Lula e exaltando a admiração do pai pelo petista, para limpar a imagem do partido junto à esquerda.
Por que atacar a neutralidade da governadora?
Porque Raquel Lyra tenta dialogar com o governo federal sem romper com o eleitorado de direita.
João Campos quer forçar um racha: ou ela se assume lulista de vez, ou ele tenta monopolizar o selo “candidato de Lula” em Pernambuco.
O que está em jogo no orçamento?
Ou seja, mais poder concentrado em Brasília.
E o STF, fica intocável?
Ele diz que o STF cumpre papel “essencial” e que o debate sobre reforma está “desvirtuado” porque falar da Corte dá audiência.
Não entra em confronto, não fala em mudança estrutural, apenas em “melhorias ao longo do tempo”.
Por que isso revolta tanta gente?
Porque o eleitor vê, de novo, o mesmo roteiro: político tradicional se pendura em Lula, tenta demonizar qualquer aproximação com a direita, fala em rever emendas para fortalecer o Executivo e trata o STF como tabu.
Enquanto isso, Pernambuco perde investimentos para Bahia e Ceará, como o próprio João admite.
No fim, a mensagem é clara: João Campos quer transformar a eleição em Pernambuco num grande palanque pró-Lula, empurrando Raquel Lyra para o rótulo de “bolsonarista” e tentando matar qualquer espaço para uma alternativa realmente independente.
E o eleitor, mais uma vez, fica assistindo à velha disputa de palanques, enquanto os problemas reais do estado continuam em segundo plano.