Fachin abriu o semestre no STF dizendo que críticas ao Supremo “fortalecem a democracia” e que o Tribunal precisa conviver com o debate público sem perder a serenidade.
No mesmo evento, Gilmar Mendes exaltou Cristiano Zanin, lembrou sua defesa de Lula na Lava Jato e ainda celebrou a condenação de Jair Bolsonaro na 1ª Turma.
Tudo isso embalado em discurso de “harmonia entre os Poderes” e “compromisso com o Estado Democrático de Direito”.
Na prática, o recado é claro: o STF quer posar de aberto à crítica, mas continua sendo o mesmo tribunal que persegue, cala e intimida justamente quem mais o critica – a direita, conservadores, opositores do sistema.
Quando Fachin diz que a força do Supremo “não reside na ausência de crítica”, a pergunta que fica é: crítica de quem, até onde e com qual preço?
contradição escancarada hoje
Como críticas fortalecem democracia?
Críticas sinceras, livres e sem ameaça de inquérito ou censura fortalecem a democracia.
O problema é quando o próprio STF decide o limite da crítica e transforma opinião em “ataque às instituições” sempre que vem da direita.
Por que só direita paga?
Porque, na prática, a seletividade é evidente: manifestações conservadoras são tratadas como risco ao regime, enquanto ataques da esquerda, xingamentos a Bolsonaro e defesa de ditaduras amigas são relativizados ou ignorados.
Quem define limite republicano?
Hoje, quem define o “limite republicano” é o próprio STF, que acumula o papel de vítima, investigador, acusador e julgador.
Isso concentra poder demais em uma única instituição, sem freio real.
discurso não convence
Fachin falou em “harmonia entre os Poderes” e citou pacto contra feminicídio para mostrar um Supremo preocupado com causas sociais.
Mas o brasileiro olha para o histórico recente e vê outra coisa: interferência em atos do Executivo, decisões que atropelam o Legislativo e um clima constante de tensão política.
Por que falar em harmonia agora?
Porque o desgaste é grande.
O STF sabe que perdeu confiança de boa parte da população e tenta reconstruir a imagem com discursos bonitos, enquanto mantém o mesmo comportamento ativista nos bastidores.
STF aceita mesmo crítica?
Aceita quando é elogio disfarçado de crítica “técnica”, vinda de dentro do próprio sistema.
Quando a crítica vem da rua, de conservadores, de quem questiona decisões sobre eleições, censura ou prisões políticas, a resposta costuma ser inquérito e ameaça.
blindagem em curso
Gilmar Mendes aproveitou o discurso para transformar Zanin em símbolo: elogiou sua atuação como advogado de Lula, disse que o “tempo confirmou” as teses da defesa e ainda lembrou a condenação de Bolsonaro na 1ª Turma.
Ou seja, o recado político está dado: quem questionou a Lava Jato estava certo, Lula foi vítima e Bolsonaro, culpado.
Por que elogiar Zanin agora?
Há dois pesos no STF?
Sim.
A Lava Jato foi desmontada, condenações de petistas caíram, Lula voltou ao poder.
Enquanto isso, Bolsonaro é condenado, aliados são perseguidos e qualquer contestação eleitoral vira caso de “ataque à democracia”.
dois pesos claros
Quando o STF diz que “críticas fortalecem a democracia”, mas mantém gente sendo investigada por posts, vídeos e discursos, a mensagem real é outra: você pode criticar, desde que não toque nos temas que incomodam o sistema.
Crítica pode virar crime?
Na prática, já virou em vários casos.
Opiniões fortes, denúncias e questionamentos sobre urnas, eleições e decisões do STF foram tratadas como crimes graves, com prisões, bloqueios de redes e multas pesadas.
Quem protege o cidadão comum?
Hoje, quase ninguém.
O cidadão que critica o STF se sente desprotegido, porque sabe que quem julga é o próprio alvo da crítica.
Isso gera medo, autocensura e um clima de insegurança jurídica.
narrativa em xeque
O discurso de Fachin tenta vender a imagem de um Supremo aberto, sereno e democrático.
Mas o histórico recente mostra um tribunal que se envolveu diretamente na política, interferiu em decisões do Executivo, anulou condenações da Lava Jato e ajudou a recolocar Lula no jogo.
STF está acima de tudo?
Não deveria estar.
Em uma democracia, nenhum Poder é intocável.
Mas, hoje, quem ousa dizer isso em voz alta corre o risco de ser enquadrado como inimigo da democracia.
democracia sob teste
Enquanto o STF fala em “conviver com críticas”, o brasileiro lembra de jornalistas censurados, parlamentares de direita perseguidos, redes sociais derrubadas e decisões monocráticas que mudam o rumo do país.
A contradição é tão grande que a frase de Fachin soa quase como ironia.
Até quando essa seletividade?
O jogo virou mesmo?
Ainda não.
Mas o fato de o próprio presidente do STF sentir necessidade de dizer que aceita críticas mostra que a pressão popular está incomodando.
E isso, sim, pode ser o começo de uma virada: um povo que não tem mais medo de enxergar e apontar o abuso de poder, por mais que tentem calar sua voz.