Nunes Marques, presidente do TSE, tomou uma decisão sigilosa que atinge em cheio a estratégia digital do governo Lula: em 24 horas, a Secom terá que apagar das redes oficiais todos os posts que exaltam a figura pessoal do petista e não poderá publicar novos conteúdos do mesmo tipo até o fim das eleições.
E mais: Facebook e X também devem remover essas publicações.
Ou seja: o PL de Flávio Bolsonaro foi ao TSE denunciar o uso do Canal Gov e de perfis oficiais como vitrine de campanha, e Kassio Nunes Marques enxergou indícios de propaganda institucional disfarçada de “jornalismo”.
A tal “comunicação pública” virou, na prática, vitrine para Lula aparecer em tudo.
Aconteceu agora: o partido listou cerca de mil postagens destacando Lula em obras, programas, entregas e pronunciamentos.
Nunes Marques não mandou derrubar uma por uma, mas determinou que a própria Secom faça a limpa em tudo que extrapola o caráter jornalístico e vira promoção pessoal do presidente.
Se deixar passar, o PL pode voltar ao TSE e apertar ainda mais o cerco.
E onde entra a hipocrisia?
O mesmo campo político que vive gritando “censura” quando o STF barra conteúdo de esquerda agora está em pânico porque o TSE mandou parar a propaganda oficial pró-Lula com dinheiro do contribuinte.
Quando é para blindar o petismo, chamam de “comunicação institucional”; quando é para fiscalizar, viram vítimas.
A lei eleitoral é clara: nos três meses antes da eleição, não pode usar máquina pública para fazer autopromoção.
Mas o governo Lula empurrou o limite até onde deu, usando redes oficiais para vender imagem de salvador da pátria.
Agora, com a decisão de plantão, o jogo muda: ou a Secom se enquadra, ou vira caso de descumprimento direto de ordem do TSE.
E tem outro ponto: Nunes Marques deixou uma brecha ao falar em conteúdos que “em tese” extrapolam o jornalismo.
Essa ambiguidade abre espaço para o governo tentar empurrar mais um pouco, mas também dá munição para o PL voltar à carga sempre que enxergar propaganda disfarçada.
O recado político está dado: o uso da estrutura do Estado para inflar a imagem de Lula entrou oficialmente na mira.
As pessoas estão cansadas de ver a máquina pública virar palanque permanente.
Enquanto o brasileiro luta para pagar as contas, o governo usa perfis oficiais para fazer marketing do presidente como se fosse influencer.
A decisão de Nunes Marques não resolve tudo, mas expõe o jogo: sem a vitrine paga pelo contribuinte, a narrativa de Lula perde um dos seus principais megafones.
Por que Lula usou tanto a máquina pública?
Porque a exposição oficial, paga pelo contribuinte, rende alcance e narrativa sem custo de campanha, fortalecendo sua imagem pessoal.
Isso é mesmo propaganda institucional disfarçada?
Sim, o próprio TSE viu indícios de promoção pessoal de Lula, indo além de simples informação jornalística.
A decisão atinge só o Canal Gov?
Não, atinge a Secom inteira e alcança também conteúdos no Facebook e no X ligados ao governo federal.
O PL pode voltar ao TSE depois?
Sim, o partido foi autorizado, na prática, a fiscalizar e acionar de novo se enxergar descumprimento.
Lula perde força digital com isso?
A esquerda pode chamar isso de censura?
Pode, mas a base legal é a lei eleitoral, que vale para qualquer governo, não só para Lula.
Por que a decisão foi sigilosa no início?
Foi tomada em plantão de recesso, o que costuma gerar sigilo inicial, mas o conteúdo acabou vindo a público.
André Mendonça pode endurecer ainda mais?
O governo vai tentar driblar a decisão?
É provável que tente explorar a ambiguidade do texto, mas isso aumenta o risco de novas ações do PL.
O que essa decisão revela sobre o governo Lula?
Revela dependência da máquina pública para construir narrativa e uma tendência de confundir Estado com projeto de poder pessoal.