A Justiça de São Paulo decidiu ampliar a cobrança contra o pastor Valdemiro Santiago e todo o grupo ligado à Igreja Mundial do Poder de Deus, autorizando o bloqueio de patrimônios para garantir o pagamento de uma dívida que já passa de R$ 900 mil com o apresentador Everton Di Souza, o Fofoquito.
O que era uma ação contra uma única empresa agora atinge o próprio Valdemiro, a esposa, igrejas e empresas do grupo, porque o Judiciário entendeu que existe uma verdadeira mistura de bens entre todos eles.
Por que a Justiça endureceu agora?
A Justiça endureceu porque não encontrou patrimônio suficiente apenas na empresa condenada e viu indícios de que bens e dinheiro estariam espalhados entre pessoas físicas, empresas e instituições religiosas do mesmo grupo.
Segundo a decisão, não há separação real entre o que é da empresa, o que é do pastor e o que é da igreja.
Ou seja: quando é para receber, tudo é um só grupo forte; quando é para pagar, ninguém tem nada.
A Justiça não engoliu essa história e autorizou que todos respondam pela dívida, inclusive com bloqueio de contas e penhora de bens.
Eles realmente não tinham dinheiro algum?
A Justiça entendeu que não era falta de dinheiro, mas sim dificuldade de localizar bens porque o patrimônio estaria pulverizado entre várias pessoas e entidades ligadas ao mesmo grupo.
Fofoquito afirma que ganhou a causa há tempo, recebeu apenas cerca de R$ 100 mil, e o restante nunca foi pago.
A dívida cresceu com juros e correção e hoje já ultrapassa R$ 1 milhão, segundo ele.
Mesmo assim, o grupo foi empurrando com a barriga, sem acordo definitivo, até que o Judiciário perdeu a paciência e partiu para a fase de execução.
Por que a dívida ficou tão alta assim?
A dívida ficou alta porque o valor original não foi pago integralmente, acumulou juros, correção e custas ao longo dos anos de descumprimento da decisão.
O ponto central é grave: a Justiça reconheceu uso indevido de direitos autorais de Fofoquito e falta de pagamento pelos serviços prestados à Igreja Mundial.
Ele viajou com Valdemiro, fez documentário da vida do pastor, participou de projetos e, segundo o processo, teve até música usada pela banda da igreja, que vendeu muitas cópias, sem que ele recebesse o devido.
Usaram mesmo a música sem pagar?
Sim.
De acordo com o processo, com perícia e provas aceitas pela Justiça, a música de Fofoquito foi usada e explorada comercialmente sem o pagamento correto.
Enquanto isso, o discurso público é sempre o mesmo: fé, sacrifício, oferta, semente, fidelidade.
Mas quando chega a hora de cumprir contrato, pagar profissional e respeitar direito autoral, a conversa muda.
A Justiça teve que intervir para fazer valer o básico: dívida se paga.
Por que a Justiça incluiu a igreja e a esposa?
Esse tipo de decisão joga luz em uma velha suspeita: estruturas religiosas e empresariais usadas como escudo para proteger patrimônio, enquanto credores ficam a ver navios.
Quando é fiel simples, o pagamento é cobrado com força.
Quando é o grupo que deve, tudo vira dificuldade, recurso, atraso e desculpa.
Isso pode afetar os fiéis diretamente?
Pode afetar indiretamente, porque bloqueios e penhoras podem atingir contas e bens ligados à estrutura da igreja, o que mexe com a imagem e com o funcionamento do grupo.
A Justiça deixou claro: não adianta espalhar bens em vários CNPJs e CPFs para fugir de responsabilidade.
Se há confusão patrimonial, todos respondem.
É um recado duro para quem se acostumou a misturar dinheiro de igreja, empresa e pessoa física como se fosse tudo a mesma coisa.
Valdemiro ainda pode recorrer da decisão?
Sim.
A defesa ainda pode recorrer, mas o processo já entrou na fase de execução, com possibilidade real de bloqueio de ativos e penhora de patrimônio.
Fofoquito, por outro lado, diz que não guarda mágoa, mas insiste no óbvio: "o certo é o certo".
Ele lembra que a Justiça já reconheceu a dívida, o uso indevido de sua obra e o não pagamento pelos serviços prestados.
Agora, cada mês que passa, o valor aumenta ainda mais.
Por que demoraram tanto para pagar?
A pergunta que fica é a mesma que muita gente faz quando vê esse tipo de caso: se é para cobrar fiel pobre, a pressão é imediata; se é para pagar quem trabalhou, a coisa se arrasta na Justiça.
Até quando isso vai ser tratado como normal?
Isso pode abrir precedente para outros casos?
Sim.
Decisões que reconhecem confusão patrimonial em grupos religiosos e empresariais podem servir de base para outros credores em situações parecidas.
O recado da Justiça é claro: usar a estrutura religiosa como escudo para fugir de dívida não vai passar batido para sempre.
Quando a conta chega, não tem culto, campanha ou discurso que segure.
A conta chegou, e agora o cerco fechou.
O que acontece se não pagarem agora?
Se não pagarem, a execução segue com bloqueio de contas, penhora de bens e outras medidas para garantir que a dívida seja finalmente quitada.
Enquanto isso, o público observa mais um caso em que a Justiça precisa intervir para fazer valer o básico: quem deve, paga.
E quem vive pedindo sacrifício financeiro dos outros não pode se esconder quando a cobrança bate na própria porta.