César Tralli e Renata Vasconcellos voltaram das férias e, logo na primeira edição do Jornal Nacional, jogaram na cara do Brasil mais uma tragédia que se repete como rotina: em menos de 24 horas, cinco pessoas morreram atropeladas em São Paulo.
Entre as vítimas, um casal trabalhador, Nilson Leite Batista, 56 anos, e Maria Gorete Saraiva, 58, esmagados por um motorista bêbado, com a CNH suspensa por excesso de pontos.
Câmeras mostram o carro invadindo a calçada de um viaduto, onde o casal apenas voltava para casa depois do trabalho.
Nilson foi arremessado para a pista.
Maria foi jogada por cima da grade, caiu de cerca de seis metros e morreu na hora.
Ele ainda foi socorrido, mas não resistiu.
O motorista, Giuliano Franco Fontes, 24 anos, foi preso em flagrante, com sinais claros de embriaguez, se recusou ao bafômetro, mas exame clínico confirmou o álcool.
E aí vem a pergunta que todo brasileiro faz: como alguém com CNH suspensa ainda está dirigindo livremente?
Como alguém com CNH suspensa dirige?
Porque o Estado não fiscaliza de verdade e a punição é fraca.
Por que motorista bêbado segue matando?
Porque a sensação é de impunidade e a lei não assusta ninguém.
Quantas mortes vão precisar acontecer?
Por que a lei seca não funciona?
Quem protege esses criminosos do volante?
Um conjunto de leis brandas, decisões lenientes e um Estado omisso.
Por que reincidência é tão comum assim?
Porque quem bebe, mata e dirige vê outros saindo pela porta da frente.
O que falta para endurecer as penas?
Vontade política real e coragem para enfrentar lobby e corporativismo.
Por que famílias trabalhadoras pagam a conta?
Porque o sistema sempre pesa para o lado de quem cumpre a lei.
Até quando o Brasil vai aceitar isso?
Enquanto a sociedade não cobrar de forma firme e constante, nada muda.
Dirigir bêbado é crime ou detalhe?
Na prática, ainda é tratado como detalhe por muita gente poderosa.
Especialistas em trânsito já estão dizendo o óbvio: é preciso endurecer a legislação, fechar brechas, tratar motorista bêbado que mata como criminoso de verdade, não como “acidente”.
Mas o discurso não combina com a prática.
Há anos se fala em “tolerância zero”, mas o que se vê é tolerância total com quem transforma carro em arma.
Enquanto isso, as manchetes se repetem: pedestres, motociclistas, trabalhadores, até gari morto por motorista embriagado.
Sempre a mesma história, sempre o mesmo roteiro: álcool, alta velocidade, CNH irregular, recusa ao bafômetro, prisão em flagrante, comoção… e depois, pouco a pouco, o esquecimento e a sensação de que tudo vai acabar em pena leve, progressão rápida, regime aberto.
O caso exposto no Jornal Nacional escancara a falência de um sistema que não protege o cidadão de bem.
O brasileiro que acorda cedo, pega ônibus, volta a pé para casa, cumpre regra, paga imposto, é o que morre na calçada.
Já o irresponsável que ignora lei, dirige bêbado e com habilitação suspensa, muitas vezes conta com um sistema jurídico lento, cheio de recursos e brechas.
As autoridades falam em “preocupação com a reincidência”.
Mas preocupação não salva vidas.
O que salva é lei dura, fiscalização constante e punição exemplar.
O que salva é tratar esse tipo de caso como o que ele é: duplo homicídio, não “fatalidade”.
O Brasil está cansado de ver famílias destruídas por quem transforma o volante em licença para matar, enquanto o Estado assiste, promete e não entrega.
A pergunta que fica, depois da volta de Tralli e Renata com essa notícia devastadora, é simples e dolorosa: até quando o brasileiro de bem vai precisar ter medo até de andar na calçada?