O Tribunal Superior Eleitoral mandou o governo Lula tirar do ar publicações oficiais que fazem promoção pessoal do presidente em plena época de restrição eleitoral.
Não é opinião: é decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, em resposta a uma ação do PL.
Ou seja, até a Justiça Eleitoral enxergou que os canais do governo estavam virando palanque para Lula, pagos com dinheiro público, em vez de cumprir função informativa.
Por que Lula precisa da máquina pública?
Porque a exposição diária em canais oficiais dá vantagem eleitoral, mesmo quando a lei manda reduzir propaganda institucional nos três meses antes da eleição.
O ministro foi claro: postagens que exaltam a atuação pessoal de Lula em programas, obras, entregas e pronunciamentos extrapolam o papel institucional e viram promoção de imagem.
Só conteúdo estritamente informativo pode continuar.
O resto, fora do ar.
E não é só site de ministério: a ordem atinge também Facebook e X, que terão de indisponibilizar o material em até 24 horas.
Isso é uso da máquina pública?
Quando o governo transforma comunicação oficial em vitrine de um político, está usando estrutura do Estado para benefício eleitoral.
Enquanto isso, a narrativa de sempre: a esquerda vive acusando a direita de “abuso de poder econômico”, “fake news”, “discurso de ódio”.
Mas quando se trata de usar a estrutura do governo para impulsionar a imagem de Lula, aí tentam empurrar como se fosse “informação institucional”.
Até o TSE, que tantas vezes é acusado de ser duro com a direita, precisou intervir.
Dois pesos e duas medidas?
É o que muita gente vê: rigidez máxima com conservadores, tolerância até o limite com a esquerda, até a situação ficar escancarada demais.
O PL, partido de Flávio Bolsonaro, pediu a retirada integral de todas as postagens questionadas.
Kassio Nunes não foi tão longe, mas reconheceu o problema e limitou o que pode continuar no ar.
Ficou autorizado apenas o que tiver caráter jornalístico, sem enaltecer Lula.
O recado é direto: canal oficial não é comitê de campanha.
Por que só agora o TSE reagiu?
Porque a lei eleitoral aperta nos três meses anteriores ao pleito, e o volume de propaganda disfarçada ficou impossível de ignorar.
A legislação é clara: nesse período, órgãos públicos não podem fazer campanha de divulgação institucional, salvo exceções de grave necessidade pública.
Mesmo assim, o governo vinha empurrando a barra, com vídeos, posts e transmissões que colocavam Lula como protagonista de tudo, sempre em tom de marketing, não de serviço.
Isso fere a isonomia eleitoral?
Sim.
Quem está no poder já tem visibilidade natural.
Quando ainda usa a máquina para autopromoção, desequilibra o jogo contra qualquer adversário.
A decisão também atinge pronunciamentos e transmissões oficiais.
Cadeia nacional, por exemplo, só em caso urgente.
Eventos com cobertura da EBC ficam sob lupa da Justiça Eleitoral.
Em outras palavras: acabou a farra da vitrine permanente.
Lula não sabia das regras eleitorais?
Ele é um dos políticos mais experientes do país e já disputou várias eleições sob as mesmas regras.
O que revolta muita gente é a repetição do roteiro: discurso de “defesa da democracia”, “respeito às instituições”, “jogo limpo”, enquanto, na prática, se tenta esticar o limite da lei para manter o presidente em exposição máxima.
Quando a direita faz um post mais duro, é censura, derrubada, inquérito.
Quando o governo usa estrutura oficial para promover Lula, aí vira “comunicação institucional”.
Até quando?
Isso é só a ponta do iceberg?
Provavelmente.
Se o que apareceu já foi suficiente para o TSE mandar tirar do ar, imagine o que não está sendo questionado ainda.
O ministro ainda determinou que as plataformas cumpram a ordem mesmo que o governo demore.
Ou seja, não adianta enrolar: se o conteúdo for considerado promoção pessoal, sai do ar.
É um freio, ainda que parcial, no uso político da máquina.
O brasileiro está cansado disso?
Sim.
A sensação geral é de abuso constante: quem está no poder sempre tenta usar cada centímetro do Estado para se manter lá.
No fim, a decisão de Kassio Nunes Marques expõe uma contradição incômoda para o governo Lula: o mesmo grupo que vive falando em “defesa da democracia” precisa ser contido pelo TSE para não transformar canais oficiais em propaganda eleitoral.
E a pergunta que fica é simples e direta: se até a Justiça Eleitoral enxergou promoção pessoal, o que mais ainda está sendo empurrado goela abaixo como se fosse “informação pública”?
O que essa decisão revela de verdade?
Revela que, mesmo com toda blindagem política e midiática, o uso da máquina para favorecer Lula ficou grande demais para ser ignorado, e que a pressão da oposição e da opinião pública começa, aos poucos, a furar o bloqueio.