Lula teme desgaste e corre para cobrar explicações do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, depois de vir à tona um “empréstimo” de cerca de R$ 80 mil feito pela empresária Roberta Luchsinger, amiga próxima de Fábio Luís, o Lulinha.
O depósito foi rastreado pela Polícia Federal e já virou munição política em plena campanha pela reeleição.
Marcola admitiu o depósito, disse que já quitou o valor e insiste que não tem relação com sua função no governo.
Mas não explica claramente para que serviu o dinheiro.
E é justamente aí que o desgaste cresce: mais um caso nebuloso envolvendo gente do círculo íntimo de Lula, Lulinha e aliados históricos.
A pergunta que não quer calar é: empréstimo entre amigos poderosos pode tudo?
Quando envolve gente ligada ao presidente, em meio a investigações e campanha eleitoral, cada centavo precisa ser explicado com total transparência.
Outro ponto que chama atenção: Lula diz que “confia” em Marcola, mas ao mesmo tempo cobra explicações detalhadas, com medo do uso político do caso.
Ou seja: sabe que a situação é explosiva e pode respingar diretamente na sua imagem.
Por que sempre aparece dinheiro estranho perto de Lula?
Porque o entorno político de Lula é o mesmo de sempre: assessores, amigos e familiares que já apareceram em investigações, delações e operações da PF ao longo dos anos.
Enquanto isso, a PF rastreia o depósito de Roberta Luchsinger, conhecida por ostentar riqueza e por sua proximidade com Lulinha.
Três novas investigações apuram se Lulinha e Roberta atuaram para favorecer uma empresa ligada ao lobista preso por fraudes no INSS, o famoso “Careca do INSS”.
Até quando Lulinha vai aparecer em investigações federais?
Enquanto o sistema permitir blindagem seletiva e investigações lentas, o nome de Lulinha continuará surgindo em casos que misturam política, negócios e influência.
Lula, em reunião com a equipe, voltou a se colocar como vítima.
Relembrou as investigações da Lava Jato, disse que “revistaram suas cuecas” e não encontraram nada, e ainda atribuiu a morte de Marisa Letícia ao estresse das apurações.
Mas, ao mesmo tempo, afirma que “cada um responderá por seus atos”.
Se cada um responde, por que sempre o mesmo grupo?
Porque o núcleo político e familiar que cerca Lula é praticamente o mesmo há décadas, e os casos se repetem com personagens que mudam pouco.
A irritação dentro da campanha é grande.
Aliados veem “falta de cuidado” de Marcola ao se envolver em uma operação financeira desse tipo justamente agora, com Lula tentando vender a imagem de governo limpo e perseguido por “vazamentos seletivos”.
Por que esse empréstimo apareceu justo agora?
Porque a PF está rastreando fluxos de dinheiro ligados às investigações sobre fraudes e influência política, e o depósito caiu na conta de alguém muito próximo do presidente.
Advogados de Lulinha reclamam de “vazamento seletivo” e “instrumentalização” de setores da PF com interesse político-eleitoral.
O discurso é velho: quando a investigação chega perto da esquerda, é perseguição; quando é contra a direita, é “defesa da democracia”.
Por que a esquerda só fala em vazamento seletivo quando é com ela?
Porque é mais fácil atacar o mensageiro do que explicar o conteúdo das operações financeiras e das relações políticas expostas.
Lula diz que avaliará o PT pela “avaliação popular do governo” e que cada integrante responderá por suas ações.
Mas o fato é que o ex-chefe de gabinete foi exonerado em 21 de julho e já foi encaixado na coordenação da campanha.
Sai do governo, entra na campanha.
O círculo continua fechado.
Exonerar e reaproveitar resolve o problema ético?
Não.
Só mostra que, para o grupo no poder, o importante é manter o time unido, mesmo sob suspeita, desde que ajude na eleição.
A PF rastreia, a imprensa revela, a campanha se irrita, Lula diz que confia, mas cobra explicações.
E o brasileiro, mais uma vez, assiste a mais um capítulo de depósitos, amigos ricos, filhos influentes e “empréstimos” que ninguém explica direito.
Quantos escândalos cabem em uma campanha?
Muitos, quando o padrão de comportamento não muda e o custo político é sempre empurrado para depois da eleição.
O caso expõe, de novo, a contradição central: Lula tenta posar de vítima perseguida, mas está cercado por gente que vive se enrolando em operações financeiras obscuras.
E o eleitor conservador olha para tudo isso e pensa: se é só um empréstimo inocente, por que tanto medo de desgaste?
Por que o brasileiro ainda aceita essas desculpas?
Até quando isso vai continuar?
Até que a cobrança por transparência seja igual para todos, sem blindagem para a esquerda e sem dois pesos e duas medidas entre aliados de Lula e adversários políticos.