Aconteceu agora: a Justiça de São Paulo mandou penhorar 30% do salário de Romário como senador, para pagar uma dívida de cerca de R$ 34,4 mil com Marco Polo Del Nero.
E o que o “Baixinho” fez?
Correu para dizer à Justiça que essa penhora compromete sua “própria sobrevivência rotineira”.
Um senador, com salário bruto de R$ 46 mil, alegando que perder 30% é um “impacto material irreversível”.
Até onde vai isso?
Por que senador reclama disso?
Porque Romário afirma que a penhora é ilegal e que não consegue sobreviver com o desconto, mesmo recebendo um dos maiores salários do país.
A origem da história é ainda mais reveladora.
A dívida vem de uma condenação por danos morais, já definitiva, depois que Romário disse em 2013 que Del Nero deveria ser “preso” e pegar “cem anos de cadeia”.
Agora, o mesmo Romário que sempre posou de moralizador do futebol, que apontava o dedo para todo mundo, não consegue pagar uma indenização de pouco mais de R$ 34 mil sem dizer que isso ameaça sua sobrevivência.
Que exemplo é esse?
Como um senador não paga isso?
Porque, segundo o processo, quando a Justiça tentou bloquear as contas bancárias de Romário, não encontrou nenhum valor disponível.
O Tribunal de Justiça já negou o pedido de Romário para suspender a penhora.
O relator, desembargador Vitor Kümpel, disse que não há risco de dano que justifique parar o desconto.
Ou seja: por enquanto, os 30% do salário seguem retidos até a dívida ser quitada.
A Justiça apertou, e o discurso de “campeão do povo” virou choro por causa de desconto em holerite.
Por que a Justiça não recuou?
Porque o Tribunal entendeu que a decisão é legal, a condenação é definitiva e não há prova de dano grave imediato ao senador.
Romário tentou se defender dizendo que suas falas contra Del Nero estavam protegidas pela imunidade parlamentar, já que ele era deputado e presidente da Comissão de Turismo e Desporto.
Disse que queria apenas “criticar”, não ofender, e que defendia “reputação ilibada” no comando do esporte.
Mas a Justiça cível não comprou essa versão.
Condenou, manteve a condenação nas instâncias superiores e, como o valor não foi pago, veio o bloqueio e agora a penhora do salário.
Imunidade parlamentar vale para tudo?
Não.
A Justiça entendeu que houve abuso no direito de manifestação e que as declarações passaram do limite da crítica legítima.
E aí entra a contradição que revolta muita gente.
Quantas vezes a esquerda e seus aliados chamaram adversários de tudo quanto é nome, atacaram reputações, usaram o plenário para linchar quem pensa diferente, e nada acontece?
Quantas vezes o STF foi rápido para punir conservador, mas lento para enquadrar quem está do “lado certo” da narrativa?
Quando é com a turma protegida, o silêncio domina.
Até quando isso?
Por que só alguns pagam caro?
Porque o sistema político e judicial brasileiro tem histórico de seletividade, tratando de forma diferente quem é aliado ou não do establishment.
Romário, hoje no PL, já surfou na onda de “caçador de corruptos” no futebol, apontando o dedo para cartolas, CBF, Fifa.
Agora, aparece dizendo que não consegue sobreviver com 30% do salário penhorado para pagar uma dívida que nasceu justamente de um ataque pessoal.
O discurso moralista bateu na realidade do próprio bolso.
Isso é coerente com o discurso?
Não.
Quem se apresenta como fiscal da moral no esporte deveria, no mínimo, honrar a decisão judicial sem dramatizar sobre a própria sobrevivência.
O detalhe que chama atenção: a Justiça tentou primeiro bloquear as contas bancárias do senador e não achou nada.
Para quem ganha mais de R$ 46 mil brutos por mês, isso levanta muitas perguntas.
Como um senador chega a esse ponto?
Como alguém com esse salário diz que não consegue sobreviver com 30% a menos?
E o brasileiro comum, que vive com um salário mínimo, paga imposto em dia e não tem a quem recorrer?
Como vive quem ganha salário mínimo?
Sobrevive com muito menos, sem privilégios, sem foro, sem auxílio e sem poder recorrer a tribunais para reclamar de desconto em folha.
O caso também expõe outra ferida: a distância entre a vida real do povo e a bolha de Brasília.
Para o cidadão comum, penhora de salário é drama silencioso, sem manchete, sem recurso caro, sem advogado famoso.
Para senador, vira tese de “impacto irreversível” e pedido urgente ao Tribunal.
É esse o Brasil que cansa, que revolta, que faz o povo perder a paciência com a classe política.
Por que o povo está cansado?
A esquerda vive repetindo discurso de “justiça social”, “igualdade”, “defesa dos mais pobres”.
Mas na prática, o sistema segue blindando uns e apertando outros.
Quando um senador reclama que 30% do salário ameaça sua sobrevivência, o que o trabalhador que ganha R$ 1.500 por mês deve pensar?
Que país é esse em que a elite política chora por desconto, enquanto o povo paga a conta calado?
Isso é justiça social de verdade?
Não.
É mais um retrato de um sistema que protege privilégios e ignora a realidade de quem sustenta tudo com impostos.
No fim, a mensagem é clara: a conta chegou para Romário.
A Justiça não engoliu o drama da “sobrevivência” e manteve a penhora.
E o brasileiro olha para isso com indignação e ironia.
Porque, enquanto senador reclama de 30%, milhões de famílias sobrevivem com muito menos, sem foro, sem ajuda, sem dó.
E ainda são obrigadas a assistir a esse espetáculo de vitimismo oficial.
Até quando vamos aceitar?
Enquanto o eleitor não cobrar coerência nas urnas e exigir que quem ganha com dinheiro público viva a realidade do país, e não em um mundo paralelo de privilégios.
O que isso revela do sistema?
Revela um abismo entre a classe política e o povo, um modelo esgotado que precisa ser questionado todos os dias.
Quem paga essa conta toda?
Sempre o mesmo: o brasileiro comum, que trabalha, paga imposto e não tem o luxo de reclamar de penhora dizendo que não consegue sobreviver.