Moraes agora mandou a PGR se manifestar sobre um pedido básico: Jair Bolsonaro quer poder receber a visita do próprio filho, o senador Flávio Bolsonaro, em sua prisão domiciliar.
Sim, chegamos ao ponto em que até encontro entre pai e filho depende de despacho de ministro do STF.
Flávio está proibido de visitar o pai por 90 dias porque divulgou uma carta de Bolsonaro nas redes sociais, pedindo união dos apoiadores em torno de sua pré-candidatura.
A partir disso, Alexandre de Moraes entendeu que houve “desvio de finalidade” do direito de visita e que Bolsonaro estaria usando terceiros para burlar a proibição de usar redes sociais.
Agora, a defesa recorreu, chamou a medida de desproporcional e pediu que Moraes volte atrás ou leve o caso para a Primeira Turma do STF.
Também pediu que, no mínimo, seja respeitado o direito de Flávio atuar como advogado do próprio pai.
Aconteceu agora: um senador da República precisa de autorização de Moraes para ver o pai doente dentro de casa.
E ainda corre o risco de ter negado até o direito de exercer sua profissão de advogado.
Pergunta 1: Isso ainda é democracia mesmo?
Resposta: Quando um ministro concentra poder para decidir até visita familiar e comunicação entre advogado e cliente, o mínimo é questionar se o equilíbrio entre poderes e garantias individuais está sendo respeitado.
Pergunta 2: Visita de filho virou crime agora?
Resposta: Não, visita de filho não é crime.
O que Moraes fez foi transformar um ato familiar em suspeita política, usando a carta divulgada como justificativa para suspender o direito de visita por 90 dias.
Pergunta 3: STF pode tudo contra Bolsonaro?
Resposta: O STF não pode tudo, mas na prática vem ampliando seus próprios limites, especialmente em casos envolvendo Bolsonaro e a direita, o que alimenta a sensação de perseguição e de falta de freios institucionais.
Pergunta 4: Por que só direita sofre isso?
Resposta: Porque a seletividade é evidente: figuras da esquerda seguem falando, articulando e fazendo política sem esse tipo de bloqueio extremo, enquanto qualquer movimento de Bolsonaro vira motivo para nova canetada.
Pergunta 5: Advogado não pode falar com cliente?
Resposta: A defesa lembra que a lei garante comunicação entre advogado e cliente.
Ao restringir Flávio, que se habilitou como defensor, a decisão atinge diretamente uma prerrogativa profissional básica na Justiça.
Pergunta 6: Moraes virou fiscal de rede social?
Resposta: Na prática, sim.
Ele interpreta qualquer manifestação ligada a Bolsonaro como possível descumprimento de ordem, inclusive se vier por meio de familiares, e usa isso para endurecer ainda mais as restrições.
Pergunta 7: PGR vai enfrentar Moraes agora?
Resposta: Moraes deu cinco dias para a PGR opinar.
A grande dúvida é se a Procuradoria-Geral da República vai agir com independência ou apenas carimbar o que o ministro já decidiu, como tem acontecido em vários casos.
Pergunta 8: Até quando essa perseguição continua?
Resposta: Enquanto não houver reação firme do Congresso, da sociedade e de outras instituições, a tendência é esse tipo de medida se repetir e até piorar, sempre com o mesmo alvo: Bolsonaro e a direita.
Pergunta 9: Isso não fere a Lei de Execução Penal?
Resposta: A defesa diz claramente que fere, porque a lei garante visitas familiares e a decisão de Moraes seria uma restrição severa sem gravidade concreta que justifique tamanho exagero.
Pergunta 10: Brasil vai aceitar calado isso?
Resposta: Essa é a questão central.
Se o país normalizar que um ministro decide quem pode visitar quem, por quanto tempo e com que intenção, amanhã qualquer cidadão pode ser o próximo a perder direitos básicos.
A situação é clara: Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por uma suposta tentativa de golpe, em decisão já polêmica.
Mesmo assim, teve visitas gerais suspensas por 30 dias, mantendo só médicos, fisioterapeutas e advogados.
E, além disso, ganhou um veto específico: nada de visitas com “finalidade político-eleitoral” por 90 dias.
Ou seja: o STF agora se sente no direito de julgar até a intenção de uma visita.
Se for “política”, está proibida.
Quem define o que é político?
Isso é gravíssimo.
Enquanto isso, a esquerda segue fazendo campanha, usando redes, articulando poder, sem qualquer tipo de amarra parecida.
A narrativa de “defesa da democracia” virou desculpa para atropelar garantias que deveriam valer para todos.
O público conservador olha para esse caso e pensa: se até o filho não pode ver o pai, o que mais vão proibir?
Moraes mandou a PGR opinar, mas todo mundo sabe que a caneta final continua na mão dele.
E a pergunta que fica é: até quando o Brasil vai aceitar que um único ministro decida, sozinho, o destino político e até familiar de quem ele escolhe como inimigo?