Deltan Dallagnol virou alvo direto do PT do Paraná, que entrou na Justiça Eleitoral para tentar impedir sua candidatura ao Senado em 2026. O partido e a Federação Brasil da Esperança protocolaram pedido de impugnação no TRE-PR, alegando que o ex-procurador continua inelegível por decisões já tomadas pelo TSE e confirmadas pelo STF.
O que exatamente o PT quer?
Que o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná indefira a declaração de elegibilidade de Deltan Dallagnol e, na sequência, negue o registro de sua candidatura ao Senado.
Na prática, o PT tenta manter viva a cassação do mandato de deputado federal de Deltan em 2023, quando o TSE declarou sua inelegibilidade por causa da forma como ele deixou o Ministério Público Federal.
Segundo o pedido, não há “fato novo” que justifique mudar o entendimento já consolidado pelos tribunais superiores.
Mas Deltan Dallagnol está hoje inelegível por alguma nova condenação?
Não.
O próprio pedido do PT se apoia nas decisões antigas do TSE e do STF, e não aponta nova punição ou nova decisão que tenha surgido depois.
As siglas ainda afirmam que decisões posteriores do Conselho Nacional do Ministério Público, citadas por Deltan em sua defesa, não alteram os fundamentos usados pelos tribunais para cassar seu mandato.
Ou seja: o PT quer que o TRE-PR simplesmente repita o que já foi decidido lá em cima, sem reabrir a discussão.
Por que o PT insiste tanto em tirar Deltan do jogo?
A acusação é clara, ainda que política: não conseguiriam derrotá-lo no voto, então tentam tirá-lo antes do voto.
Há contradição nesse movimento?
Há, e grande.
A mesma esquerda que vive falando em “respeitar a vontade popular” defende que quase 345 mil votos dados a Deltan em 2022 continuem anulados, e agora tenta impedir que o eleitor paranaense tenha sequer a opção de votar nele para o Senado.
A defesa de Deltan Dallagnol reforça que sua situação jurídica está regular.
Lembra que ele antecipou o pedido de registro de candidatura em julho, apresentou todos os documentos e pareceres de juristas e sustenta: ele está elegível.
Destaca ainda que, quando deixou o Ministério Público, não tinha processo administrativo disciplinar pendente, não foi demitido, não perdeu o cargo e nenhum procedimento resultou em punição.
Se não havia punição, por que o TSE cassou o mandato de Deltan em 2023?
Porque o tribunal considerou uma suposição sobre o futuro: de que ele teria saído do MP para escapar de eventuais processos disciplinares.
A própria nota da defesa cutuca: “O futuro chegou e não confirmou nada”.
Por que essa rigidez toda contra um ex-procurador da Lava Jato não aparece com a mesma força quando o alvo é político de esquerda?
Enquanto isso, o PT tenta transformar a disputa eleitoral no Paraná em batalha jurídica.
Em vez de enfrentar Deltan Dallagnol no debate e na urna, aposta no tapetão do TRE-PR, amparado em decisões do TSE e do STF que já foram duramente criticadas por parte da opinião pública conservadora.
O que acontece agora?
O pedido de impugnação será analisado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, que vai decidir se Deltan Dallagnol poderá ou não ser candidato ao Senado em 2026. Até lá, a guerra política, jurídica e narrativa só tende a esquentar – e o eleitor paranaense corre o risco de, mais uma vez, ver sua escolha ser definida nos gabinetes, e não nas urnas.