Lula sancionou a nova lei do piso do frete rodoviário sem definir nenhum valor real para o bolso do caminhoneiro.
O governo petista reconhece que precisa existir um piso, faz discurso emocionado, posa de defensor da categoria, mas entrega uma lei que fala em “mínimo” sem dizer quanto é esse mínimo.
Enquanto isso, quem depende da estrada continua sem saber quanto vai receber no fim do mês.
O texto atinge diretamente caminhoneiros, empresas de frete, intermediadores e plataformas digitais, mas deixa a parte mais sensível – o dinheiro – jogada para acordos e convenções coletivas, longe de qualquer garantia nacional.
Quem ganha com isso?
A resposta é simples: não é o caminhoneiro autônomo que acreditou nas promessas de “respeito” e “piso justo”.
O Congresso chegou a aprovar antes um valor de R$ 5.000 de piso nacional para caminhoneiros de longa distância.
Mas, no Senado, esse valor foi retirado sob argumento de inconstitucionalidade.
Resultado: ficou a narrativa, sumiu o número.
Por que tiraram o piso nacional?
Lula, ao sancionar, ainda tentou vender a ideia de que “agora não é o mais forte, agora tem um piso que todo empresário vai ter que pagar”.
Mas que piso é esse, se ninguém sabe o valor?
Fica a sensação de mais um discurso bonito para a plateia, sem compromisso concreto com o caminhoneiro que vive na estrada.
Quem realmente define o piso agora?
Os pisos salariais serão definidos por acordos e convenções coletivas entre empresas e sindicatos.
Ou seja: em vez de um piso nacional claro, igual para todos, o caminhoneiro vai depender da força do sindicato, da boa vontade da empresa e da realidade de cada região.
Exatamente o tipo de insegurança que a esquerda dizia combater quando atacava reformas trabalhistas e defendia “direitos garantidos em lei”.
Isso protege o caminhoneiro autônomo?
Não.
A regra vale para motoristas profissionais empregados que fiquem fora da base por mais de 24 horas.
No palco da sanção, o ministro Guilherme Boulos foi além: disse que o governo Lula é “o que mais fez pelos caminhoneiros na história do país” e que não tem medo de afirmar isso.
Mas, na prática, o que foi entregue hoje foi uma lei sem valor definido, com o piso transformado em promessa vaga.
O que aconteceu com os R$ 5 mil?
O valor foi retirado no Senado, que preferiu não cravar nenhum número na lei.
A contradição salta aos olhos: quando interessa, o governo e sua base não têm problema em empurrar decisões polêmicas goela abaixo do país.
Mas, na hora de garantir um valor concreto para quem trabalha na estrada, tudo vira “inconstitucional”, “complexo”, “precisa negociar”.
O caminhoneiro, mais uma vez, fica em segundo plano.
Quem sai fortalecido com essa mudança?
Empresas e grandes contratantes, que ganham mais margem para negociar valores caso a caso.
Outro ponto explosivo é o perdão a caminhoneiros multados por bloqueios de rodovias após as eleições de 2022, que foi mantido no texto aprovado pelo Senado.
Lula ainda pode vetar esse trecho.
Ou seja, até nisso o governo deixa tudo em suspenso, criando expectativa e insegurança.
Lula vai perdoar as multas mesmo?
Ainda não se sabe.
Ele pode vetar esse trecho na publicação no Diário Oficial.
Enquanto a esquerda tenta vender a narrativa de que “agora o caminhoneiro é cidadão de primeira categoria”, a realidade é que o trabalhador continua sem um piso nacional definido, sem clareza sobre quanto vai ganhar e dependendo de negociações que, na prática, costumam favorecer os grandes.
Isso traz segurança para a categoria?
Não.
A falta de valor fixo nacional mantém a incerteza sobre a remuneração.
O discurso de que “o governo que mais fez pelos caminhoneiros” contrasta com o texto aprovado: muita fala, pouca garantia.
O caminhoneiro que acreditou que veria um piso de R$ 5.000 virou refém de mesas de negociação e da boa vontade de quem contrata.
Por que isso revolta tantos caminhoneiros?
Porque esperavam um valor claro em lei e receberam apenas promessas genéricas.
Mais uma vez, o Brasil assiste a um roteiro conhecido: promessa forte no microfone, lei fraca no papel.
E quem paga a conta é quem passa dias e noites na boleia, esperando que, um dia, o “piso” deixe de ser só palavra de discurso e vire dinheiro real no fim do mês.