Trabalhadores espremidos em pontos de ônibus lotados, trens parados e um apresentador de TV tendo que pagar corrida de aplicativo para gente que só queria voltar para casa depois de um dia inteiro de trabalho.
Essa é a fotografia do transporte público em São Paulo em plena greve da CPTM.
Enquanto as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade ficaram paradas, milhares de pessoas foram jogadas em filas intermináveis, disputando espaço em ônibus lotados.
Quem mais sofreu?
Justamente quem acorda de madrugada, pega mais de um transporte e volta para casa à noite exausto.
Foi nesse cenário que Reinaldo Gottino, durante o Cidade Alerta, decidiu pagar do próprio bolso corridas de aplicativo para trabalhadores que estavam presos no caos da greve.
Uma delas, Maria Cícera, 52 anos, funcionária da limpeza de um hospital, estava há mais de uma hora tentando embarcar em um ônibus depois de ter saído de casa ainda de madrugada.
Por que a TV virou socorro?
Porque o poder público falhou de novo.
A cena de um apresentador bancando transporte para trabalhador escancara o abandono de quem sustenta o país, mas é sempre o primeiro a ser sacrificado em greve, crise ou disputa política.
Quem protege o trabalhador hoje?
Na prática, ninguém.
O governo discute concessão, sindicato discute proposta, tribunal media acordo, mas quem está na fila, espremido, cansado, continua sendo o mesmo brasileiro de sempre, que paga imposto alto e recebe serviço precário.
Por que a greve paralisou as linhas?
A paralisação começou na madrugada de terça-feira (4) e atingiu diretamente as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM.
A categoria cruzou os braços em meio à discussão sobre o futuro da estatal e a concessão das linhas à iniciativa privada.
Quem decidiu o fim da paralisação?
O fim da greve veio só nesta quarta-feira (5), depois que uma proposta mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho foi aprovada em assembleia pelos ferroviários, segundo o Sindicato dos Ferroviários.
O que o governo prometeu exatamente?
O governo de São Paulo se comprometeu a enviar um projeto de lei à Assembleia Legislativa para garantir os empregos dos funcionários da CPTM enquanto seguem as discussões sobre a concessão das linhas à iniciativa privada.
Isso resolve o drama do passageiro?
Não.
A promessa fala de emprego de funcionário da estatal, não de qualidade de transporte para o passageiro que madruga, enfrenta lotação e perde horas de vida em deslocamento.
Por que o trabalhador sofre sempre mais?
Porque, em qualquer disputa – seja entre governo e sindicato, seja em briga política ou ideológica – o lado mais fraco é sempre o mesmo: o cidadão comum, que não tem carro oficial, motorista, nem gabinete climatizado.
Quem paga a conta da greve?
Quem paga é o trabalhador que perde hora de serviço, chega atrasado, corre risco de demissão, volta para casa mais tarde e ainda escuta discurso bonito de autoridade dizendo que “tudo está sob controle”.
Por que uma atitude simples chocou tanto?
Um apresentador pagar três corridas não resolve o sistema, mas expõe o tamanho do buraco: o básico virou favor, não obrigação do Estado.
Isso vai mudar alguma coisa concreta?
Sem pressão popular, o roteiro se repete: crise, caos, promessa, manchete, esquecimento.
E o brasileiro continua acordando de madrugada para enfrentar o mesmo transporte lotado de sempre.
Até quando o povo aguenta?
Até o dia em que o trabalhador cansado, que hoje só quer chegar em casa, decidir que não aceita mais ser tratado como massa de manobra em briga de gabinete.
Até lá, cenas como a de São Paulo vão continuar se repetindo, e a solução vai seguir vindo de onde menos se espera, enquanto quem deveria resolver assiste tudo de longe.