A família de Marcos Matsunaga quebrou o silêncio e partiu para cima de Elize.
Por meio do advogado Luiz Flávio D’Urso, eles deixaram claro: não aceitam a tentativa de reescrever a história do crime brutal que chocou o Brasil e estão impondo uma condição dura para qualquer reaproximação entre Elize e a filha.
Elize Matsunaga, condenada a 16 anos por matar, esquartejar e espalhar partes do corpo do marido pela região de Cotia, hoje está em regime aberto e luta na Justiça para voltar a ter contato com a menina, criada desde bebê pelos avós paternos.
Do outro lado, a família de Marcos não apenas resiste, como tenta retirar o nome de Elize até da certidão de nascimento da criança.
Por que a família quer tirar o nome?
O ponto que revoltou ainda mais os parentes de Marcos foi o novo filme que, segundo o advogado, tenta pintar Elize como vítima.
D’Urso foi direto: a obra é ficção, não retrata o que apareceu no processo e ainda passa pano para a assassina condenada.
O filme distorce o que exatamente?
Segundo o advogado, o filme apresenta uma versão favorável a Elize, ignora provas do processo e cria cenas que não batem com os autos, como se ela tivesse sido menosprezada pela família e maltratada por Marcos.
No longa, parentes de Marcos aparecem tratando Elize com desdém no casamento.
A família rebate: dizem que ela foi acolhida, amparada, e que não houve esse clima de rejeição.
Até a própria Elize, lembrada pelo advogado, já admitiu que Marcos sempre a tratou bem e nunca encostou a mão nela.
Marcos maltratava Elize em casa?
De acordo com o advogado e com o que está no processo, não há testemunha que diga que Marcos foi rude com ela.
Pelo contrário, ele a tratava com cuidado, a ponto de se casar sabendo de seu passado.
Outro ponto em que o filme teria forçado a barra é na história da filha do casal.
A produção sugere que a bebê estaria com febre logo após o crime e que isso teria feito Elize desistir de ir ao Paraná para se livrar do corpo.
A versão oficial da família desmonta essa narrativa.
A filha estava doente naquele dia?
Não.
Segundo o advogado da família, a bebê não estava doente, não havia febre e essa justificativa emocional não corresponde ao que foi apurado no processo.
Então por que Elize desistiu da viagem?
Ela só desistiu de seguir até o Paraná porque foi parada pela polícia no caminho, ficou com medo de ser pega e recuou, já que o carro estava com documentação vencida.
Qual era o plano de Elize com o corpo?
De acordo com o advogado, a intenção era distribuir os pedaços no Paraná para dificultar a ligação com o desaparecimento de alguém em São Paulo, o que tornaria a solução do caso muito mais difícil.
A família participou do julgamento de Elize?
Segundo D’Urso, a família não interferiu no júri.
Eles apenas confiaram na Justiça, aguardaram o resultado e aceitaram a condenação de Elize como resposta institucional ao crime.
O filme tenta transformar Elize em vítima?
Na visão da família, sim.
A obra cria um enredo em que ela aparece mais como alvo de circunstâncias do que como autora de um crime planejado e cruel, o que revolta quem acompanhou o processo de perto.
Por que a família endurece agora?
Elize tem contato com a filha hoje?
Não.
Desde o crime, a menina é criada pelos pais de Marcos e nunca mais teve contato com a mãe biológica.
Qual é a condição para Elize ver a filha?
A família impôs uma condição, por meio de seu advogado, para qualquer possibilidade de contato.
O conteúdo exato dessa exigência não foi detalhado publicamente, mas deixa claro que não haverá aproximação fácil nem automática.
A Justiça pode obrigar esse encontro?
Em tese, questões de guarda e visitação são decididas pelo Judiciário, que pode ou não acolher pedidos de Elize, sempre considerando o melhor interesse da criança, e não o desejo da mãe condenada.
No fim, o recado da família de Marcos é duro: não aceitam ser retratados como vilões em filme algum, não aceitam que o crime seja romantizado e não aceitam que a assassina condenada seja tratada como vítima enquanto a filha cresce tentando ser protegida desse passado.
E a pergunta que fica, ecoando o cansaço de muita gente, é: até quando a sociedade vai tolerar que crimes brutais virem espetáculo, enquanto as vítimas e suas famílias lutam para simplesmente seguir em frente?