Uma reportagem da revista piauí jogou luz sobre um bastidor que muita gente desconfiava, mas ninguém via detalhado: a relação entre Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ambiente de influência em torno do SBT e do SBT News.
Segundo a investigação, Fábio Faria teria assumido o papel de articulador de Vorcaro em Brasília depois de um encontro em Paris, em outubro de 2023. A partir daí, negócios milionários, viagens internacionais custeadas e um projeto de usina eólica vendido por R$ 67,5 milhões – valor considerado acima do mercado por analistas – entraram no radar da Polícia Federal.
Quem ganhou com esse negócio milionário?
O principal beneficiado, segundo a reportagem, teria sido Fábio Faria, que vendeu o projeto de usina eólica a Vorcaro por um valor visto como acima da avaliação de mercado.
Por que o valor chama atenção?
Porque analistas do setor de energia, ouvidos pela piauí, consideraram o preço de R$ 67,5 milhões superior ao que o mercado apontaria para esse tipo de ativo.
A PF também identificou que o banqueiro teria bancado viagens e hospedagens internacionais para o ex-deputado.
Ao mesmo tempo, a revista aponta que Faria usava seu trânsito no setor de comunicação para abrir portas para Vorcaro na capital federal e até para tentar influenciar reportagens sobre o Banco Master.
Fábio Faria tentou interferir em reportagens?
De acordo com a piauí, sim: ele teria procurado veículos de imprensa para pedir revisões em matérias que citavam o Banco Master, usando seu peso político e midiático.
Qual o papel do SBT nessa história?
O SBT entra no enredo pela ligação familiar: Fábio Faria é casado com Patrícia Abravanel, filha de Silvio Santos, e teria atuado na estruturação e fortalecimento da marca SBT News, aproximando o canal de autoridades públicas.
A reportagem ainda cita que, entre 2024 e 2025, o cartão de crédito Credcesta, ligado ao grupo financeiro de Vorcaro, fez ações de patrocínio no Programa do Ratinho.
Ou seja, negócios privados, política e mídia se cruzando no mesmo corredor.
Por que o patrocínio da Credcesta importa?
Outro ponto explosivo: o lançamento do SBT News, em dezembro de 2025. Segundo a piauí, Flávio Bolsonaro teria sido desconvidado do evento depois que Lula, supostamente, se recusou a participar.
Meses depois, Lula foi ao SBT e deu entrevista ao Central de Notícias, apresentada por Amanda Klein.
O assessor de Flávio Bolsonaro teria se revoltado com o tom da entrevista, e a conversa não teria tido a repercussão esperada no canal.
Flávio Bolsonaro foi realmente desconvidado?
A piauí relata que, segundo suas fontes, o senador teria sido desconvidado após a negativa de Lula em comparecer ao evento de lançamento do SBT News.
Lula foi tratado de forma diferente?
A reportagem sugere que Lula acabou ganhando espaço posterior em entrevista ao vivo, enquanto o episódio com Flávio Bolsonaro gerou atrito e frustração com a repercussão interna.
O SBT, pressionado pela repercussão, divulgou nota dizendo que pratica “jornalismo sério e isento”, negando qualquer limitação de pauta na entrevista com Flávio Bolsonaro e afirmando que os jornalistas tiveram “absoluta liberdade editorial”.
Também destacou que mantém contratos de publicidade com várias empresas, dentro da ética da propaganda.
O SBT admite interferência política interna?
Não.
A emissora nega qualquer interferência política, diz que não limitou perguntas a Flávio Bolsonaro e que a entrevista durou mais que o combinado, reforçando a tese de liberdade editorial.
Fábio Faria, por sua vez, afirmou à piauí que todas as suas atividades privadas seguem a lei, que tem “zero de relação com Master” e que os negócios imobiliários e energéticos foram feitos dentro das normas de mercado.
A fala contrasta com o que a própria reportagem descreve: encontros, negócios, viagens pagas e articulação em Brasília.
Como Fábio Faria se defende publicamente?
Por que a direita olha com desconfiança?
Porque vê, mais uma vez, a velha mistura de mídia, grandes bancos, bastidores de Brasília e um tratamento que parece sempre pesar mais para um lado quando o assunto é exposição, investigação e cobrança pública.
A pergunta que fica é: se fosse um aliado declarado da direita no centro dessa teia de viagens pagas, negócios acima do mercado e influência em veículos de comunicação, a reação da grande imprensa e de parte do Judiciário seria a mesma?
Há tratamento diferente entre direita e esquerda?
Muitos conservadores enxergam um padrão: quando o alvo é ligado à direita, a pressão é máxima; quando envolve figuras bem relacionadas com o sistema, a cobrança costuma ser bem mais suave.
Até onde vai essa rede de influência?
A reportagem não crava crimes, mas mostra um emaranhado de relações, favores e negócios que alimenta a sensação de que o brasileiro comum joga um jogo, enquanto a cúpula político-financeira joga outro, com regras próprias.
O público está cansado de ver sempre o mesmo roteiro: negócios milionários, versões oficiais perfeitas, notas de esclarecimento bem redigidas – e quase nenhuma consequência concreta para quem circula nos salões de Paris, Brasília e dos grandes estúdios de TV.
Quem vai responder por tudo isso?
Por enquanto, apenas a Polícia Federal segue investigando, a imprensa publica, os envolvidos negam, e o cidadão observa mais um capítulo de um sistema que parece blindar sempre os mesmos.