A família de Marcos Matsunaga decidiu endurecer de vez contra Elize Matsunaga e impôs uma condição pesada para que ela volte a ver a própria filha, hoje criada pelos avós paternos desde o crime brutal de 2012.
Condenada por matar, esquartejar e tentar se livrar do corpo do marido, herdeiro da Yoki, Elize está em regime aberto desde 2022 e luta na Justiça para retomar o contato com a menina, que tinha apenas um ano quando tudo aconteceu.
Do outro lado, a família de Marcos não só resiste, como tenta retirar o nome de Elize até da certidão de nascimento da criança.
Por que a família quer tirar Elize?
A família entende que, diante da gravidade do crime e da forma como tudo foi feito, manter o nome de Elize nos documentos da filha é uma violência emocional contra a menina e uma tentativa de reescrever a história como se fosse um conflito comum de casal, e não um assassinato seguido de esquartejamento.
O estopim agora foi o novo filme que retrata a história do casal.
Em entrevista a Paulo Mathias, o advogado da família, Luiz Flávio D’Urso, detonou a produção e acusou o longa de tentar limpar a imagem de Elize.
O filme favorece Elize Matsunaga?
Segundo o advogado, sim.
Ele afirma que a obra é “ficção”, não bate com o que está no processo e passa uma visão simpática a Elize, ignorando provas e depoimentos que levaram à condenação.
Por que isso revolta tanto a família?
Porque, para eles, enquanto a filha cresce longe da mãe assassina, o cinema tenta transformar Elize em personagem quase compreensível, suavizando o horror do que foi feito com Marcos.
O advogado ainda desmentiu cenas que mexem diretamente com a percepção do público.
Uma delas mostra a filha do casal com febre logo após o crime, o que faria Elize desistir de ir ao Paraná para se desfazer do corpo.
A filha estava doente naquele dia?
De acordo com D’Urso, a bebê não estava doente e essa versão não aparece em nenhuma prova do processo.
Para a família, essa cena tenta humanizar Elize e criar uma espécie de “instinto materno” que não existiu naquele momento.
Por que Elize desistiu de ir ao Paraná?
O advogado afirma que ela só desistiu porque foi parada pela polícia no caminho e ficou com medo de ser pega.
O carro estava com documentação vencida, ela conseguiu escapar daquela abordagem, mas temeu não ter a mesma sorte em outra parada.
Qual era o plano de Elize com o corpo?
Segundo a acusação, ela queria distribuir os pedaços no Paraná para dificultar a investigação, evitando qualquer ligação direta com o desaparecimento de alguém em São Paulo.
Ou seja, não havia arrependimento, mas cálculo frio para tentar escapar.
O filme mostra Marcos como agressor?
A família diz que, sim, o filme sugere menosprezo e maus-tratos, inclusive em cenas de casamento, o que é frontalmente rejeitado por quem conviveu com o casal.
D’Urso lembra que nem mesmo a própria Elize, em juízo, disse que Marcos a agredia fisicamente.
Marcos maltratava Elize em casa?
De acordo com o advogado e com o que está no processo, não há testemunha que diga que Marcos foi rude com ela.
Pelo contrário, ele teria sido cuidadoso a ponto de se casar sabendo quem ela era e de onde vinha.
Por que a família fala agora?
A filha tem contato com a mãe hoje?
Não.
Desde o crime, a menina é criada pelos avós paternos e nunca mais viu Elize.
A ex-detenta tenta reverter isso na Justiça, mas enfrenta a resistência da família, que agora coloca condições firmes para qualquer aproximação.
Qual é a grande disputa em jogo?
De um lado, Elize busca reconstruir sua imagem e recuperar algum vínculo com a filha.
Do outro, a família de Marcos luta para proteger a criança, preservar a memória do pai assassinado e impedir que filmes e versões “romantizadas” transformem um crime bárbaro em narrativa conveniente.
Até onde o cinema pode ir?
Essa é a pergunta que fica.
Quando uma obra passa a reescrever fatos julgados, suavizar a crueldade e sugerir motivações que não aparecem no processo, a fronteira entre ficção e desrespeito à vítima e à família é ultrapassada.
Quem protege a criança nesse embate?
Hoje, quem assume essa proteção é a família paterna, que banca a criação, a educação e a estabilidade emocional da menina, enquanto tenta blindá-la de um passado que, cedo ou tarde, ela vai descobrir.
A sociedade aceita essa romantização?
Muita gente já demonstra cansaço com a transformação de criminosos em personagens “complexos” e “incompreendidos”, enquanto as vítimas viram coadjuvantes ou são retratadas como culpadas indiretas.
O que a família quer, afinal?
Quer que a condenação de Elize seja respeitada, que a história não seja reescrita por roteiristas e que a filha não seja usada como peça de narrativa para reconstruir a imagem de quem tirou a vida do próprio pai de forma planejada e cruel.
Quem ganha com essa nova versão?
Certamente não é a criança, nem a memória de Marcos.
A família, mais uma vez, precisa vir a público para lembrar o óbvio: por trás de cada “história de cinema” existe uma vítima real, uma filha sem pai e parentes que carregam a dor todos os dias.
Até quando o Brasil vai aceitar ver crimes brutais virando espetáculo, enquanto quem sofreu de verdade luta para não ser apagado da própria história?