A morte de uma criança de três anos na fazenda de Amado Batista voltou com força total à Justiça e expôs um lado bem menos romântico da vida do cantor.
Os pais do menino, Tatiane Francisca e Jorlan Barbosa, não aceitaram a decisão que dividiu a culpa do acidente com eles e partiram pra cima: recorreram para que a responsabilidade seja reconhecida como exclusiva de Amado.
Segundo o processo, o menino se afogou na piscina da propriedade onde a família morava e trabalhava.
O juiz já havia condenado Amado Batista a pagar R$ 453 mil de danos morais, além de pensão mensal.
Mas, para os pais, o magistrado errou ao dizer que houve culpa concorrente deles no acidente.
Quem era responsável pela segurança ali?
Os pais afirmam que, ao permitir que trabalhadores e suas famílias morassem na fazenda, Amado assumiu o dever de garantir um ambiente seguro, inclusive em relação à piscina.
Por que a piscina virou ponto central?
Porque, segundo o recurso, a área da piscina não tinha proteção adequada, mesmo sendo um local de risco evidente para crianças pequenas.
Onde a mãe estava no momento?
Tatiane relata que estava trabalhando na cozinha da fazenda e saiu por poucos minutos para ir ao banheiro, sem qualquer estrutura de apoio para cuidar do filho durante o expediente.
Havia alguém para olhar as crianças?
De acordo com o recurso, não existia creche, cuidador ou qualquer suporte oferecido pela fazenda para os filhos dos empregados, o que tornava impossível uma supervisão contínua.
O que Amado Batista teria dito em juízo?
Segundo os pais, em depoimento judicial, o cantor negou ter obrigação de proteger a piscina e jogou a responsabilidade na mãe e na irmã da vítima, que tinha apenas 11 anos na época.
A área foi protegida depois da tragédia?
Os autores afirmam que, mesmo após a morte da criança, a piscina continuaria sem proteção, o que reforçaria a tese de descaso com a segurança.
O que os pais pedem agora exatamente?
Por que a decisão inicial incomodou tanto a família?
Porque o juiz dividiu a culpa, como se os pais tivessem a mesma responsabilidade que o dono da fazenda, mesmo diante da falta de estrutura de trabalho e segurança relatada.
O que muda se a culpa for só de Amado?
Muda o valor da indenização, o cálculo da pensão e, principalmente, o peso jurídico e moral sobre o cantor, que passaria a ser visto como único responsável civil pela tragédia.
Até quando patrões vão se isentar?
Essa é a pergunta que fica no ar ao se ler o recurso: até quando grandes proprietários poderão permitir famílias em suas terras, lucrar com o trabalho delas e, na hora da tragédia, dizer que a culpa é só dos mais fracos?
Enquanto a Justiça não decide, a dor dos pais continua, a piscina da fazenda vira símbolo de um sistema em que quem tem menos paga mais caro, e a imagem de Amado Batista, construída em décadas de carreira, enfrenta um capítulo que nenhum fã gostaria de ver associado ao seu nome.