Assim que Alfredo Gaspar foi confirmado vice na chapa de Flávio Bolsonaro, um caso antigo voltou à tona e virou munição política: a acusação de estupro de vulnerável que ele afirma ser ligada a um primo com o mesmo nome em Alagoas.
A Procuradoria-Geral da República pediu diligências à Polícia Federal em 21 de maio, mas o ministro Gilmar Mendes só encaminhou o pedido nesta quarta-feira, 5, justamente quando Gaspar ganhou projeção nacional ao entrar oficialmente na chapa presidencial do PL.
Quem é Alfredo Gaspar na política?
Gaspar é deputado federal pelo PL de Alagoas, relator da CPMI do INSS e vinha crescendo como nome forte da direita, a ponto de ser cotado para o Senado antes de ser escolhido vice de Flávio Bolsonaro.
Por que o timing do STF causa estranheza?
Porque o pedido da PGR ficou parado desde 21 de maio e só andou um dia após o anúncio oficial de Gaspar como vice, o que alimenta a percepção de uso político do Judiciário em ano eleitoral.
Qual a acusação feita contra Gaspar?
Ele é citado em um caso de suposto estupro de vulnerável, mas afirma que o processo se refere a um primo com o mesmo nome, que não há crime e que existe exame de DNA comprovando que ele não é o pai da criança mencionada.
Quem levantou as acusações recentemente?
Por que Gaspar fala em narrativa política?
Porque ele aponta que as acusações surgem com força justamente quando a CPMI do INSS, da qual é relator, avança em investigações graves, e vê nisso uma tentativa de desviar o foco com ataques pessoais.
O que diz o exame de DNA citado?
Qual o papel da CPMI do INSS nisso?
A CPMI do INSS investiga fraudes e esquemas bilionários na Previdência, atingindo interesses poderosos; Gaspar sugere que, como relator, virou alvo preferencial para ser desmoralizado publicamente.
Por que a esquerda mira o vice de Flávio?
Porque enfraquecer o vice é uma forma de tentar atingir a credibilidade da chapa de Flávio Bolsonaro e, por tabela, desgastar o campo conservador que vem denunciando abusos e privilégios do sistema.
Gilmar Mendes tem relação próxima com Gaspar?
Não.
O próprio Gaspar ironizou dizendo que “Gilmar Mendes nem gosta de mim”, deixando claro que não há qualquer proximidade que justificasse tratamento especial ou blindagem a seu favor.
Há tratamento diferente entre direita e esquerda?
Para muitos conservadores, sim: quando o alvo é ligado à direita, o sistema reage rápido, vaza, expõe e amplifica; quando envolve aliados da esquerda, o ritmo costuma ser outro, mais lento, discreto e cheio de filigranas jurídicas.
Gaspar nega tudo e fala em “acusações falsas, levianas e irresponsáveis”, atribuindo a Lindbergh e Soraya a tentativa de criar um escândalo sem base na realidade.
Ele diz estar com a consciência tranquila e aposta que “a verdade sempre aparece e o bem sempre vence”.
Enquanto isso, a campanha de Flávio Bolsonaro se reorganiza: o senador dizia preferir uma mulher na vice, citando nomes como Tereza Cristina e Daniella Marques, mas acabou batendo o martelo em Gaspar, justamente o relator de uma CPMI que incomoda muita gente em Brasília.
No fim, o recado que fica para o eleitor conservador é direto: quando alguém da direita mexe em vespeiro, o sistema reage com tudo.
E o fato de o caso ressurgir com força máxima exatamente após o anúncio da chapa só aumenta a sensação de perseguição política e de que, mais uma vez, a máquina está sendo usada para tentar calar quem não se curva ao establishment.