Luciano Hang passou anos atacando a Globo, mas agora sua Havan é justamente a maior anunciante das afiliadas da emissora em todo o país.
Enquanto a direita é demonizada diariamente no jornalismo nacional da Globo, o caixa das TVs regionais da mesma rede está sendo turbinado por quem diz não se sentir representado por ela.
Segundo levantamento da agência Tunad, a Havan liderou com folga os investimentos em publicidade nas 118 afiliadas da Globo no primeiro semestre de 2026, com 2.132 inserções comerciais entre janeiro e junho.
Ou seja: enquanto o brasileiro conservador muda de canal para fugir das narrativas da emissora, o varejista que se apresenta como símbolo dessa mesma direita banca, e muito, a programação local da Globo.
Quem é o maior anunciante agora?
A maior anunciante nas afiliadas da Globo, no período citado, é a Havan.
Por que isso chama tanta atenção?
Porque Hang construiu sua imagem criticando justamente a Globo e seu jornalismo.
Hang tenta separar o jogo: diz que não patrocina o jornalismo nacional da Globo, que, segundo ele, “vai contra o nosso pensamento”, mas despeja anúncios nos telejornais regionais da mesma rede, em faixas de grande audiência entre as classes C, D e E.
Na prática, o dinheiro entra no mesmo grupo de comunicação que ataca diariamente valores conservadores e políticos de direita.
Isso fortalece financeiramente a Globo?
Sim.
Mesmo sendo em afiliadas, o fluxo de publicidade fortalece o ecossistema da rede.
A estratégia da Havan é clara: expansão em cidades do interior e fora dos grandes centros, onde a TV aberta ainda manda.
Para isso, escolheu justamente as afiliadas da emissora que virou símbolo de militância progressista e de perseguição à direita.
Enquanto muitos conservadores boicotam a Globo, a Havan aumenta em cerca de 30% seus investimentos em publicidade, inclusive em outras plataformas do grupo, como as transmissões da Copa do Mundo.
Hang mudou de posição política?
Ele afirma que não mudou e que continua criticando o jornalismo nacional da Globo.
Se não mudou, o que mudou então?
Mudou o tamanho do cheque: mais anúncios, mais presença, mais exposição na Globo.
A pergunta que fica para o público conservador é inevitável: até que ponto é coerente denunciar a emissora como inimiga ideológica e, ao mesmo tempo, virar um de seus maiores financiadores regionais?
A esquerda, que sempre acusou empresários de direita de “teatro” e “marketing”, ganha munição para apontar o dedo e dizer: o discurso é um, a prática é outra.
Isso ajuda a narrativa da esquerda?
Sim.
A contradição de Hang é usada para acusar hipocrisia na direita.
As afiliadas são diferentes da Globo nacional?
O conteúdo jornalístico é local, mas a estrutura e a marca são da mesma rede.
Hang tenta justificar dizendo que não tem objeção aos jornais locais, que tratam de assuntos de cada cidade.
Mas, no fim do dia, o telespectador vê a mesma marca, o mesmo padrão e o mesmo grupo que, em rede nacional, ataca quem pensa como ele diz pensar.
O público conservador está confortável com isso?
A situação expõe um ponto sensível: enquanto a direita reclama de perseguição, censura e militância na mídia, parte do empresariado que se diz alinhado a esses valores continua alimentando justamente quem ajuda a manter esse ambiente hostil.
Isso enfraquece a luta contra a mídia?
Fica difícil falar em boicote quando grandes nomes financiam a emissora.
Quem ganha com essa contradição?
A Globo ganha dinheiro e narrativa; a esquerda ganha discurso contra a direita.
No fim, a conta sempre cai no colo do eleitor conservador, que se esforça para boicotar, muda de canal, cancela assinatura, mas descobre que, por trás dos bastidores, quem diz estar do seu lado está ajudando a manter de pé a mesma estrutura que o ataca todos os dias.