Lula apareceu em podcast dizendo que a eleição de 2026 será a última de sua vida política, mas, no mesmo fôlego, defendeu endurecer leis para punir o que ele chama de “desinformação” na internet e até criminalizar conteúdos sobre saúde considerados falsos.
Ou seja: promete sair de cena, mas antes quer deixar um rastro de controle estatal sobre o que você pode ou não dizer online.
Quem define o que é desinformação?
A resposta, na prática, acaba ficando nas mãos de governo, burocratas e “especialistas” escolhidos a dedo, abrindo espaço para perseguição seletiva.
Lula, que já foi condenado por corrupção, hoje posa de guardião da verdade e da ciência.
O mesmo campo político que relativizou ditaduras amigas, atacou a Lava Jato e chamou de “golpe” qualquer investigação contra a esquerda agora quer poder para decidir o que é mentira nas redes.
A velha narrativa de “combate ao ódio” vira atalho para calar críticos.
Quem será mais atingido por isso?
Perfis conservadores, opositores ao governo e vozes que questionam narrativas oficiais tendem a ser os principais alvos.
Quando fala em “ser mais duro no controle da perversidade nas redes digitais”, Lula não está falando de criminosos comuns, mas de pessoas que, na visão dele, espalham “mentiras”.
Em um país onde até opinião vira “discurso de ódio” dependendo do lado político, esse tipo de proposta é um prato cheio para censura disfarçada.
Isso ameaça a liberdade de expressão?
Ao criminalizar de forma ampla, o governo cria medo, autocensura e controle político do debate público.
Lula também quer transformar em crime quem “usa a internet para contar mentira sobre doenças” ou recomendar remédios que “não pode tomar”.
Depois da pandemia, todo mundo sabe como esse discurso é perigoso: qualquer divergência de protocolo oficial pode ser rotulada de “fake news”, mesmo quando, meses depois, a própria ciência muda de posição.
Quem decide o que é verdade científica?
Enquanto isso, o mesmo governo que fala em “responsabilidade” nas redes convive bem com aliados que espalham boatos contra adversários, atacam conservadores e chamam qualquer crítica de “golpismo”.
A seletividade é gritante: quando a esquerda fala, é “resistência”; quando a direita fala, é “desinformação”.
Por que a direita desconfia dessas propostas?
Porque vê nelas um instrumento para calar oposição, blindar o governo e controlar o debate público.
Lula ainda defendeu “fortalecer o presidencialismo” diante do aumento do poder do Congresso via emendas.
Traduzindo: reclama do Legislativo quando este limita o poder do Planalto, mas não vê problema em ampliar o alcance do Estado sobre a vida do cidadão comum, especialmente na internet.
O que Lula quer com mais poder presidencial?
Ter mais controle sobre orçamento, agenda política e, indiretamente, sobre quem recebe recursos e apoio do governo.
Ele fala em diálogo e em evitar confrontos institucionais, mas o histórico do PT mostra outra coisa: pressão sobre imprensa, aparelhamento de estatais, tentativas de regular mídia e agora o foco total nas redes sociais, onde a esquerda perdeu o monopólio da narrativa.
As redes incomodam tanto o governo?
Sim.
Foi nelas que cresceram movimentos conservadores, denúncias de corrupção e críticas ao sistema político tradicional.
A promessa de que 2026 será “a última eleição” soa bonita, quase como um gesto de humildade.
Mas, para quem acompanha a política brasileira, a pergunta que fica é outra: que tipo de estrutura de controle Lula quer deixar montada para depois que ele sair do palco?
O que pode ficar depois de Lula?
Leis e mecanismos que permitam a qualquer governo futuro usar o rótulo de “fake news” para perseguir opositores.
Enquanto a esquerda fala em “proteger a democracia”, o que se vê é um cerco crescente à liberdade de expressão, com STF, governo e militância pressionando por mais e mais controle.
A paciência do brasileiro com esse jogo de censura seletiva está no limite.
Até quando vamos aceitar isso?
Até que a sociedade reaja, cobre o Congresso e defenda, sem medo, a liberdade de expressão como valor inegociável.