Depois de veto, desistência, choro público e muita pressão de bastidor, o senador Cleitinho Azevedo foi finalmente confirmado como candidato ao governo de Minas Gerais pelo Republicanos.
O partido recuou da própria decisão e devolveu ao jogo o nome que hoje lidera as pesquisas no estado, deixando a esquerda mineira em alerta máximo.
A reviravolta foi fechada em reunião em São Paulo, na casa do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira.
Ali, a cúpula que tinha barrado Cleitinho precisou engolir o recuo e aceitar o que a base mineira já vinha gritando: sem ele na cabeça de chapa, o partido derreteria em Minas.
Quem ganha espaço ao lado de Cleitinho é o ex-prefeito de Patos de Minas, Luiz Eduardo Falcão, que deve ser o vice.
A decisão muda o cenário eleitoral mineiro e atinge diretamente os planos de nomes ligados à velha política, como Alexandre Kalil e Patrus Ananias, este último do PT, que sonhava em recuperar terreno em Minas.
Que jogo o Republicanos estava fazendo?
O partido testou o limite da paciência do eleitor conservador mineiro, mas acabou cedendo à realidade das urnas e à pressão dos próprios candidatos a deputado, que contavam com Cleitinho como puxador de votos.
Por que a base não aceitou o veto?
Porque muitos filiados entraram no Republicanos justamente apostando na força eleitoral de Cleitinho e viram o veto como um tiro no pé da legenda em Minas.
Cleitinho lidera mesmo as pesquisas?
Sim.
Levantamento Genial Quaest de 28 de julho mostrou Cleitinho com 35 por cento, contra 12 por cento de Alexandre Kalil e 10 por cento de Patrus Ananias.
Quem mais é afetado pela volta dele?
A esquerda mineira, que contava com a saída de Cleitinho para crescer, e também adversários que já se movimentavam para ocupar o espaço deixado por ele.
PL traído ou reposicionado?
O PL, que esperou semanas uma definição, lançou Flávio Roscoe ao governo depois do recuo inicial do Republicanos.
Agora, com Cleitinho de volta, o tabuleiro se embaralha de novo e a conversa com o campo de Flávio Bolsonaro pode ser reaberta.
O que muda para o PL em Minas?
Com Cleitinho forte na disputa, cresce a pressão por uma composição que una o voto conservador e evite divisão que só favorece a esquerda.
Por que o Republicanos voltou atrás agora?
Porque percebeu que insistir no veto significaria enfraquecer a própria bancada mineira, perder votos proporcionais e entregar de bandeja espaço político para PT e aliados.
A novela das desistências e recuos expôs algo incômodo: enquanto a esquerda vive falando em estabilidade, diálogo e responsabilidade, a bagunça interna apareceu justamente num partido que flerta com o campo conservador, mas ainda sofre influência de caciques que jogam conforme o interesse de Brasília.
Quem ganha com Cleitinho na disputa?
Quem perde com essa decisão?
Perdem os projetos de retomada petista em Minas e os grupos que contavam com a saída de Cleitinho para tentar vender a velha política como se fosse novidade.
Por que a esquerda teme Cleitinho em Minas?
Porque ele fala direto com o povo, lidera pesquisas, já declarou apoio ao campo de Flávio Bolsonaro e rompe o discurso de que Minas estaria “naturalmente” inclinada a voltar para o colo do PT.
A volta dele é só cálculo eleitoral?
É também resposta à pressão popular e à percepção de que o eleitor está cansado de ver decisões tomadas em gabinetes, longe da vontade das ruas.
A esquerda vai tentar colar rótulos em Cleitinho, repetir narrativas e posar de vítima.
Mas o fato concreto é simples: o nome que lidera as intenções de voto está de volta à disputa, e isso joga um balde de água fria nos planos de quem contava com um caminho livre para reconstruir o domínio petista em Minas.
O que esperar da campanha em Minas?
Uma disputa dura, com Cleitinho no centro, a esquerda tentando se reorganizar e o campo conservador pressionado a se unir para não entregar o estado de bandeja a quem já mostrou no passado o que faz quando chega ao poder.