Lula aproveitou uma visita ao Inpe, em São José dos Campos, para transformar um evento técnico em palanque ideológico e ataque pessoal.
Em vez de falar só de dados ambientais, o petista partiu para cima do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, carimbando o senador como “bolsonarista” e “anti-latino-americano”.
O alvo foi claro: um aliado linha-dura na política externa americana, crítico de ditaduras amigas da esquerda, como Cuba.
Por que Lula atacou Marco Rubio?
Porque Rubio é duro com regimes de esquerda e não compra a narrativa petista.
Lula disse a Trump que Rubio “não gosta do Brasil” e o chamou de “latino-americano frustrado”.
Ao mesmo tempo, fez questão de separar o senador do ex-presidente americano, dizendo manter com Trump uma relação de “muito respeito” e até de “harmonia” entre as “duas maiores democracias do continente”.
Ou seja, para agradar Trump, Lula tenta jogar Rubio debaixo do ônibus e ainda usar Bolsonaro como xingamento oficial de governo.
Lula usa ‘bolsonarista’ como insulto oficial?
A cena revela a velha tática petista: quando alguém enfrenta o discurso da esquerda, vira automaticamente “bolsonarista”, “odiador” ou “anti-alguma-coisa”.
Agora, o rótulo foi exportado para a diplomacia.
Em vez de discutir tarifas, comércio e interesses do Brasil com seriedade, Lula prefere atacar a postura de um senador americano que não se curva ao romantismo com Cuba, Colômbia e outros parceiros ideológicos do PT.
Por que Rubio incomoda tanto o petismo?
Porque ele denuncia ditaduras de esquerda que Lula insiste em relativizar.
Lula ainda reclamou do aumento de tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil, dizendo que o argumento americano “não é verdadeiro” e que não existe país que leve mais a sério o clima do que o Brasil.
Ao mesmo tempo, ele próprio lembrou que viu Trump, na ONU, dizer que não acredita na questão climática.
Mesmo assim, Lula insiste em posar de amigo respeitoso do ex-presidente americano.
Lula confia mesmo na agenda climática?
Ele usa o tema como bandeira política, mas negocia conforme a conveniência.
A contradição é gritante: o mesmo Lula que vive acusando a direita de “negacionista” agora tenta vender ao mundo uma parceria harmoniosa com um líder que ele próprio descreve como descrente da pauta climática.
Quando é para atacar Bolsonaro e a direita brasileira, o discurso ambiental vira arma moral.
Quando é para se aproximar de Trump e tentar aliviar tarifas, o tom muda e a “harmonia” vira palavra de ordem.
Lula está sendo coerente com seu discurso?
Não.
Ele adapta o discurso conforme o público e o interesse do momento.
O presidente contou que entregou a Trump documentos com dados sobre comércio, crime organizado e terras raras, tentando reduzir a crise com os EUA.
Disse que ficou esperando resposta e que sua equipe ligava toda semana para marcar reuniões.
A imagem é clara: o governo brasileiro correndo atrás, enquanto em público Lula posa de líder forte e respeitado.
O Brasil está sendo respeitado nessa relação?
Não parece.
O país aparece mais como pedinte do que como parceiro firme.
Enquanto isso, a esquerda brasileira segue repetindo que o Brasil “voltou a ser protagonista” e que Lula “reconstruiu a imagem internacional do país”.
Mas na prática, o que se vê é um presidente reclamando de tarifas, tentando agradar um líder cético em relação ao clima e atacando um senador americano com adjetivos ideológicos para consumo interno.
A narrativa de protagonismo internacional se sustenta?
Não.
Os fatos mostram um governo mais reativo e ressentido do que influente.
Chama atenção também o alvo escolhido.
Marco Rubio é conhecido por sua postura firme contra o regime cubano e contra governos alinhados ao socialismo latino-americano.
Justamente os mesmos que Lula e o PT tratam com carinho, relativizando violações de direitos e fechando os olhos para perseguições políticas.
Por que Lula defende tanto Cuba e aliados?
Porque esses regimes fazem parte do eixo ideológico que o PT sempre protegeu.
Ao dizer que Rubio “odeia Cuba, odeia Colômbia, odeia o Brasil”, Lula tenta transformar crítica a governos em ódio a povos.
É a velha confusão proposital entre país e regime, usada para blindar ditaduras amigas.
Quem denuncia a tirania em Havana, Caracas ou Manágua vira automaticamente “anti-latino-americano”.
Essa acusação de Lula faz sentido?
Não.
Criticar governos autoritários não é odiar povos, é defender liberdade.
No fim, o episódio escancara a seletividade que o brasileiro conservador já conhece bem.
Quando é a direita que critica o Brasil, a esquerda fala em “ataque à soberania”.
Quando é Lula que ataca um senador estrangeiro, vale tudo em nome da narrativa.
O mesmo governo que vive acusando “discurso de ódio” não pensa duas vezes antes de rotular um adversário de “frustrado” e “odiador”.
Existe dois pesos e duas medidas?
Sim.
A esquerda se permite o que condena na direita, sem pudor algum.
O resultado é mais um capítulo de desgaste internacional misturado com palanque interno.
Em vez de defender o Brasil com firmeza e coerência, Lula prefere usar o microfone para atacar quem não se curva ao seu projeto ideológico, enquanto tenta agradar, ao mesmo tempo, a militância climática e um ex-presidente que despreza essa pauta.
E o brasileiro, mais uma vez, assiste a tudo e se pergunta até quando o país será usado como cenário de teatro político.
Até quando isso vai continuar?