De novo, a mesma fórmula que o brasileiro já conhece de cor: um crime brutal choca o país, a Justiça condena, mas anos depois aparece um filme “sensível”, cheio de licença poética, pronto para transformar assassina em quase heroína incompreendida.
E, como sempre, quem realmente sofreu com tudo isso fica em segundo plano.
Dessa vez, é a história de Marcos Matsunaga que está sendo recontada pela indústria cultural.
Só que os pais dele, por meio do advogado Luiz Flávio D’Urso, decidiram não engolir calados a versão açucarada que chegou às telas.
Por que ignoram a família?
A família denuncia que não foi ouvida nem respeitada na construção da narrativa.
Eles afirmam que o filme distorce fatos do processo, suaviza a frieza do crime e ainda insinua que Marcos e seus parentes teriam tratado Elize com menosprezo, quando, segundo o próprio advogado, ela foi acolhida e amparada desde o início.
Quem ganha com essa narrativa?
Certamente não é a verdade.
O advogado lembra que não há testemunha dizendo que Marcos foi rude com Elize.
Ao contrário, até ela mesma admitiu que ele nunca encostou a mão nela e sempre a tratou bem.
Mesmo assim, o roteiro insiste em pintar um cenário conveniente para justificar o injustificável.
Estão tentando vitimizar assassinos?
D’Urso revela detalhes pesados que o filme praticamente esconde: compra de serra elétrica após viagem em família, montagem de e-mails para simular fuga com amante, tentativa de enganar parentes dizendo que Marcos teria abandonado esposa e filha.
Tudo planejado para matar, ficar impune e continuar no seio da família, usufruindo da fortuna.
O que o público não está vendo?
O ponto mais chocante: segundo o advogado, Marcos não morreu pelo tiro, mas por asfixia ao aspirar o próprio sangue durante a degola.
Ou seja, Elize começou a esquartejá-lo enquanto ele ainda estava vivo, em coma.
A tal “viagem ao Paraná” para se livrar do corpo, que o filme tenta justificar com febre da filha, teria sido abandonada, na realidade, porque ela foi parada pela polícia e ficou com medo.
Até quando a cultura pop vai reescrever crimes reais, minimizar a dor das vítimas e alimentar a velha narrativa de que bandido é sempre vítima do sistema?
O público conservador olha para isso e pensa: se fazem assim com um caso tão documentado, o que não fazem com a política, com a história do país e com a imagem de quem a esquerda quer destruir ou proteger?