Há anos a esquerda repete o discurso de que defende a democracia, a cultura popular e o “povo”.
Ao mesmo tempo, vive acusando a direita de abuso de poder, uso da máquina pública e “ataques às instituições”.
O brasileiro conservador já se acostumou a ver esse filme: quando é a direita, tudo vira escândalo; quando é a esquerda, chamam de manifestação cultural.
Agora, o jogo começou a virar justamente onde a esquerda menos esperava: no Tribunal Superior Eleitoral.
Quem sempre correu para a Justiça contra adversários está tendo de explicar o próprio rastro de dinheiro público em plena festa de carnaval.
O que está realmente em jogo?
A discussão é se recursos públicos foram usados para transformar um desfile em palanque eleitoral antecipado para Lula e Alckmin.
Por que o caso incomoda tanto?
Porque expõe a velha contradição: o Estado bancando, com milhões, um enredo que homenageia o presidente, meses antes da campanha.
Qual o ponto mais explosivo?
A ação do partido Novo afirma que a Acadêmicos de Niterói recebeu 9,6 milhões de reais em dinheiro público, e que o desfile deixou de ser manifestação espontânea para virar promoção eleitoral de Lula.
Quem criou esse precedente antes?
O próprio PT, que em 2006 correu à Justiça contra um desfile que homenageava Alckmin, então adversário de Lula, alegando uso de verba pública para promover candidato.
Por que isso pode mudar tudo?
Até quando dois pesos, duas medidas?
A pergunta que fica é simples: o tribunal vai tratar Lula e Alckmin como trataria qualquer político conservador, ou a blindagem histórica da esquerda vai falar mais alto de novo?