Todo mundo já percebeu o roteiro: primeiro o Estado legaliza, regulamenta, cobra taxas milionárias, enche os cofres com impostos e patrocínios.
Depois, quando o sistema começa a incomodar o discurso moralista da esquerda, aparece o salvador prometendo “acabar com tudo” como se não tivesse sido o próprio poder público a abrir a porteira.
É exatamente isso que entra em cena agora com Renan Santos, candidato do Missão à Presidência, prometendo proibir as bets no Brasil.
O mesmo Estado que autorizou, licenciou e faturou bilhões com as casas de apostas vira, de repente, o grande paladino contra o “mal” que ele mesmo ajudou a espalhar.
Quem criou esse mercado bilionário de apostas esportivas?
Enquanto clubes, transmissões esportivas e veículos de comunicação passaram a depender dos patrocínios das bets, o governo arrecadou pesado com licenças e tributos.
Agora, em vez de assumir responsabilidade, a solução mágica apresentada é simplesmente proibir tudo, como se fosse um botão de reset que não destrói empregos, contratos e investimentos.
Proibir as bets resolve o vício em jogos?
Não.
O vício migra para a clandestinidade e o problema continua.
A esquerda adora esse tipo de narrativa: posa de defensora dos “vulneráveis”, usa casos dramáticos de dependência para justificar mais controle estatal, mas não toca na raiz do problema, nem na educação financeira, nem na responsabilidade individual, nem na fiscalização séria.
E, claro, não devolve os bilhões já arrecadados.
Por que não falam da responsabilidade do Estado?
O que está em jogo não é só ser contra ou a favor das bets.
É a velha história de sempre: o governo cria o problema, lucra com ele e depois aparece um candidato prometendo solução radical que pode matar o mercado formal, empurrar tudo para a ilegalidade e ainda posar de herói.
Enquanto isso, a conta, como sempre, cai no colo do cidadão comum, dos clubes, dos trabalhadores e das famílias que já estão cansadas dessa hipocrisia.