De novo, o mesmo roteiro que o brasileiro conservador já conhece de cor: qualquer caso que envolva Forças Armadas, hierarquia e armas acaba respingando justamente em quem a esquerda mais odeia.
E, curiosamente, sempre com o STF no meio do caminho, controlando cada passo, cada fala, cada depoimento.
Agora, um processo sobre desvio de armas no Exército, entre 2016 e 2018, vira mais um palco de disputa política.
O acusado direto é um tenente-coronel, apontado pelo Ministério Público Militar por se apropriar de armamentos, falsificar registros e até usar armas como moeda de troca para pagar reforma de casa.
Mas, em vez de assumir sozinho a bronca, a estratégia é clara: puxar a cadeia de comando para cima.
Por que querem envolver Braga Netto agora?
Ou seja, tenta jogar a responsabilidade para o topo da hierarquia, justamente em cima de um general ligado ao governo Bolsonaro, já condenado por “tentativa de golpe” em um julgamento visto por muitos como político.
Quem ganha com Braga Netto enfraquecido?
A convocação do general como testemunha é usada para sugerir, nas entrelinhas, que a culpa verdadeira estaria lá em cima, mesmo sem acusação formal contra ele.
Por que Moraes precisa autorizar depoimento?
Porque Braga Netto está preso e o ministro do STF controla a execução da pena.
Até para falar como testemunha, por videoconferência, ele depende do aval de Alexandre de Moraes.
Isso mostra o tamanho do poder concentrado nas mãos de um único ministro, algo que preocupa quem defende equilíbrio entre os Poderes.
Até quando a direita será tratada diferente?
Enquanto isso, o brasileiro assiste à mesma seletividade de sempre: quando é alguém ligado à direita, tudo vira manchete, suspeita ampliada, pressão máxima.
Quando é gente da esquerda, o tom muda, a blindagem aparece e a indignação some.
E o caso de Braga Netto, mais uma vez, expõe essa diferença gritante.