Quem acompanha a política brasileira já percebeu como virou moda tentar calar qualquer questionamento sobre o sistema eleitoral.
Sempre a mesma conversa: quem pede mais transparência estaria “atacando a democracia”.
Agora, esse discurso ganhou um peso diferente.
Durante um evento festivo sobre as urnas eletrônicas, o presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, resolveu mandar seu recado.
Disse que desacreditar o sistema de votação brasileiro seria “desconvidar o eleitor” da maior festa democrática do país.
Ou seja, na prática, quem critica o modelo passa a ser tratado como inimigo da participação popular.
Por que isso preocupa tanto conservadores?
Porque a esquerda sempre usou essa narrativa para blindar as urnas, enquanto ignora qualquer pedido legítimo de auditoria mais forte, voto impresso ou fiscalização independente.
Agora, ouvir algo tão parecido justamente de um ministro indicado por Jair Bolsonaro acende um alerta enorme na base de direita.
Quem está sendo realmente atacado?
O eleitor que quer transparência.
A fala de Nunes Marques ainda exaltou “três décadas” de credibilidade do sistema, reforçando a ideia de que tudo já estaria perfeito, com tecnologia, fiscalização e auditoria suficientes.
Mas se está tudo tão impecável, por que tanto medo de ampliar a verificação e permitir mais observadores, como pediu Flávio Bolsonaro a embaixadores estrangeiros?
Por que tanto medo de fiscalização?
Enquanto o TSE cria conselho para monitorar “desinformação” e uso de inteligência artificial, cresce a sensação de que qualquer dúvida será carimbada como ataque à democracia.
A pergunta que fica para o brasileiro comum é simples: desde quando pedir mais transparência virou crime de pensamento?
Quem decide o que é desinformação?
O mesmo sistema que é questionado.
No fim, o recado é claro.
Criticar o modelo virou quase pecado institucional.
E quando até quem veio da indicação de um governo de direita passa a repetir o discurso de blindagem total das urnas, muita gente se pergunta: afinal, quem está realmente do lado da transparência e do eleitor?