O eleitor conservador olha para Santa Catarina e vê o mesmo filme de sempre: a esquerda unida para voltar ao poder e, do outro lado, a direita tentando se organizar em meio a vaidades, disputas locais e muita pressão de bastidor.
Enquanto o PT e seus aliados trabalham em silêncio, qualquer ruído no campo bolsonarista vira munição para a velha imprensa e para a militância progressista.
Até quando a direita vai facilitar a vida da esquerda?
Cada atrito público vira narrativa pronta para quem quer pintar o bolsonarismo como caos e desorganização.
Em Santa Catarina, o PL virou o principal escudo contra o projeto de poder da esquerda.
Ana Campagnolo é um dos nomes mais combativos contra o PT no estado, conhecida por enfrentar o sistema educacional aparelhado e a patrulha ideológica.
Do outro lado, a família Bolsonaro tenta garantir uma bancada fiel no Senado para segurar os avanços da esquerda e do STF sobre o Executivo e sobre as liberdades individuais.
O que está em jogo em Santa Catarina?
Nesse cenário já tenso, veio o gesto que acendeu o alerta: Flávio Bolsonaro foi às redes e cobrou, em público, que Ana Campagnolo grave um vídeo de apoio à candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina.
Mais que isso, deixou claro o peso da cobrança: se não houver apoio, que ela pare de usar a imagem dele e de Jair Bolsonaro na campanha.
Por que Flávio fez a cobrança pública?
Porque, para ele, não dá mais para ter meio apoio.
Quem usa a imagem Bolsonaro precisa estar alinhado com o projeto definido pelo grupo para 2026 e para o Senado.
Campagnolo respondeu dizendo que sempre esteve à disposição do partido, que recebeu o vídeo tardiamente e que segue trabalhando pelos objetivos do PL em Santa Catarina.
Nos bastidores, porém, já se comenta que a aproximação com ela deveria ter partido antes da própria equipe de Carlos, que decidiu disputar o Senado no estado.
O resultado é um recado claro ao campo conservador: ou há unidade real em torno dos nomes escolhidos, ou a esquerda agradece.
E o eleitor de direita, cansado de ver a esquerda unida e a direita se estranhando em público, observa tudo se perguntando quem, de fato, está disposto a colocar o projeto maior acima dos interesses locais.