Quem acompanha a política brasileira já percebeu que, sempre que a coisa aperta para o lado de Lula, ele corre para o mesmo roteiro: culpa a tal “elite”, posa de vítima e se abraça a movimentos de esquerda como se fossem a voz única do povo.
Desta vez, não foi diferente.
Em plena comemoração dos 30 anos do MTST, com Boulos ao lado, Janja na plateia e ministros batendo palma, o presidente transformou um evento de moradia popular em palanque ideológico e campanha antecipada em São Paulo.
Em vez de falar de responsabilidade, meritocracia e respeito ao dinheiro do contribuinte, preferiu repetir o discurso de sempre: ele é o perseguido, o injustiçado, o herói do povo pobre.
Quem realmente paga essa conta toda?
Enquanto milhões de brasileiros lutam para pagar aluguel, condomínio e impostos altíssimos, Lula exalta o MTST como exemplo de gestão, como se invasão e pressão política fossem modelo de política pública.
E ainda tenta vender a ideia de que só esses movimentos “organizados” sabem o que é moradia digna.
Por que Lula ataca tanto a elite?
Porque precisa manter viva a narrativa de vítima, jogando ricos contra pobres para se blindar.
No palco, ele agradeceu ao MTST por tê-lo defendido quando “a elite brasileira queria sujar seu nome”.
Ou seja, ignora completamente os processos, as condenações, as delações, todo o histórico de escândalos que marcaram seus governos, e reduz tudo a uma conspiração de “elite malvada”.
E quem o defendeu?
Isso é defesa do povo ou construção de um projeto de poder?
É construção de projeto de poder, usando movimentos de esquerda como base militante e eleitoral.
Lula ainda usou o tema da moradia para posar de generoso, reclamando que pobre não podia ter elevador e elogiando um conjunto ligado ao MTST como se fosse a grande prova de que só eles sabem fazer melhor e mais barato.
Mas não explicou quem paga, quanto custa, qual o critério, nem por que o cidadão comum, que trabalha e não invade nada, continua sem esse mesmo privilégio.
Até quando essa narrativa vai colar?
Enquanto a esquerda dominar o discurso e a máquina pública, a narrativa será repetida sem descanso.
No fim, o recado é claro: Lula se coloca como vítima da “elite”, transforma o MTST em símbolo de virtude e usa a pauta da moradia popular para fortalecer Boulos, Haddad e aliados.
O brasileiro que trabalha, paga imposto e não tem movimento para chamá-lo de “companheiro” fica, de novo, em segundo plano.