Quem acompanha política já percebeu o padrão: quando a esquerda sente que pode perder, o jogo deixa de ser sobre propostas e vira armação de bastidor.
No Paraná, o roteiro parece o mesmo de sempre, só que agora com um detalhe incômodo para o sistema: Sergio Moro lidera as pesquisas para o governo do estado, com larga vantagem.
De um lado, partidos que orbitam Lula há décadas.
De outro, o candidato que colocou o petista na cadeia e virou alvo de ódio permanente da esquerda.
E, no meio disso, um debate de TV que, na prática, parecia caminhar para mais um espetáculo combinado contra quem está na frente.
Por que Moro decidiu não ir?
Ele afirma ter identificado um “jogo combinado” entre PT e PSD, que apoiam Requião Filho e Sandro Alex.
Segundo Moro, o plano seria simples: ignorar propostas, esquecer o Paraná e transformar o debate em ataque coordenado contra o líder nas pesquisas, exatamente quem não se ajoelha a Lula nem depende de “pai ou padrinho” político.
Quem ganha com esse tipo de armação?
Ganha o velho sistema, que prefere ver “amigos do Lula” enfrentando “aliados do Lula”, como o próprio Moro resumiu.
Ou seja, um ringue controlado, onde todos se conhecem, todos se protegem e o alvo é sempre o mesmo campo político: a direita que ousa enfrentar o projeto de poder petista.
Por que a esquerda chamou de fuga?
Porque precisa manter a narrativa de que só ela é corajosa, democrática e aberta ao debate.
Mas que debate é esse em que o resultado já vem ensaiado nos bastidores?
O público conservador se pergunta: quantas vezes já vimos esse filme, com ataques coordenados a quem ameaça o conforto da velha política?
Isso é perseguição política velada?
Quando a esquerda foge de sabatinas, entrevistas e explicações, a imprensa passa pano.
Quando alguém da direita recusa entrar em armadilha, vira “covarde”.
Dois pesos, duas medidas, a mesma hipocrisia de sempre.
No fim, Moro fez o que a esquerda não esperava: tirou o alvo da testa, expôs o suposto conchavo e deixou “amigos” e “aliados” de Lula se atacarem entre si, sem o inimigo preferido no centro do palco.
E aí fica a pergunta que incomoda o sistema: quem tem medo de um debate verdadeiro, com propostas reais e sem jogo combinado?