Quem acompanha Lula há anos sabe que o maior inimigo dele não é a oposição, é a própria língua solta.
O mesmo político que vive acusando a direita de “falar demais” e “espalhar fake news” não consegue seguir nem o roteiro escrito pela própria equipe.
E, desta vez, o tiro saiu pela culatra dentro da própria campanha.
A convenção em São Paulo era para ser um ato controlado, discurso curto, teleprompter, tudo milimetricamente pensado para não desgastar a imagem já cansada do presidente.
Mas Lula ignorou o texto, partiu para o improviso e se estendeu por mais de uma hora, misturando passado, governo e promessas futuras, em falas confusas que nem a militância aguentou ouvir até o fim.
Por que até aliados saíram antes?
Foram embora porque o discurso se arrastou, ficou confuso e cansativo, esvaziando o clima político do evento.
Se nem ministros seguram até o final de um discurso do próprio chefe, o que isso diz sobre o fôlego real dessa candidatura?
Lula reconheceu a auxiliares que falou demais.
Ou seja, até ele percebeu o vexame.
Mas a pergunta que fica é: foi só um deslize ou o sintoma de um líder que perdeu a mão, o timing e a conexão até com a própria base?
Lula ainda tem controle político?
Enquanto a esquerda posa de organizada, moderna e preparada, a realidade aparece no bastidor: improviso, vaidade e um presidente que prefere se ouvir falando a respeitar quem está na plateia.
Se o público já está indo embora agora, o que esperar quando a campanha apertar de verdade?
O que isso revela da campanha?
Revela fragilidade estratégica, dificuldade de seguir plano e um Lula mais preocupado com ego do que com resultado eleitoral.