Todo brasileiro já se acostumou a ver o Estado sendo implacável com cidadão comum e político de direita, enquanto fecha os olhos para erros graves de burocratas e empresas amigas do sistema.
Na aviação, venderam a narrativa de que o Brasil tinha uma das agências mais rígidas do mundo.
Agora começa a aparecer o que ninguém queria encarar: quando o alerta é incômodo, ele simplesmente é enterrado.
Por que ignoraram o alerta?
A denúncia foi feita por um inspetor experiente da própria Anac, com 16 anos de casa, que apontou problemas sérios de manutenção e uso de peças sem avaliação adequada em empresas que depois formaram a Voepass.
Em vez de parar tudo e investigar a fundo, a recomendação de suspender voos ficou na gaveta.
Quem protegeu essa cultura interna?
Quando ele insistiu, em 2022, denunciando até reaproveitamento de peças de avião já envolvido em acidente, não veio proteção, veio retaliação.
Ele recorreu a órgãos internacionais, e a própria Anac correu para desautorizá-lo lá fora.
Resultado: processo por insubordinação e exoneração.
Como ignoraram tantos sinais?
A Polícia Federal agora descreve uma empresa com cultura de omissão, falhas repetidas em sistema de degelo e problemas que simplesmente não eram registrados.
Se tivessem sido anotados, o avião não poderia decolar.
Mesmo assim, a autorização da Voepass só caiu dez meses depois da queda que matou 62 pessoas.
Até quando essa seletividade?
Quando a falha é do próprio sistema, a resposta é nota oficial, processo interno e muita demora.
O brasileiro olha para essa história e sente o óbvio: a tragédia podia ter sido evitada.
E alguém precisa responder por ter calado quem tentou impedir o pior.