Quem acompanha a política já percebeu: em ano de disputa presidencial, todo movimento é calculado.
E quando um presidenciável que se diz de direita começa a mirar justamente em quem sempre esteve na linha de frente contra a esquerda, o sinal amarelo acende na base conservadora.
Romeu Zema, do partido Novo, voltou a cutucar o senador Flávio Bolsonaro ao falar da relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Repetiu que é “impossível aplaudir” quem fez negócios com “banqueiro bandido”, mas, ao mesmo tempo, fez questão de dizer que não vai “repetir eternamente” o assunto.
Ou seja, ataca, marca posição e depois tenta posar de moderado.
Por que Zema mira justamente Flávio Bolsonaro?
Ao reforçar a crítica a Flávio, Zema se distancia do bolsonarismo raiz e se aproxima do discurso que a esquerda adora: suspeita, insinuação e desgaste em cima da família Bolsonaro, enquanto os verdadeiros responsáveis pela perseguição política, como ministros do STF, seguem blindados.
Isso ajuda ou atrapalha a direita?
Na prática, esse tipo de fala só alimenta a narrativa de divisão no campo conservador.
A base bolsonarista já reagiu, com Eduardo Bolsonaro defendendo o rompimento da aliança entre PL e Novo.
Em vez de mirar na esquerda, no STF ativista e nos abusos de poder, o fogo amigo cai justamente em quem mais apanha do sistema.
Quem ganha com essa divisão agora?
Certamente não é o eleitor conservador, cansado de ver a esquerda unida enquanto a direita se fragmenta em vaidades e disputas internas.
Zema diz lutar contra ministros do Supremo que “se enriqueceram no cargo”, mas o alvo que ganha manchete é o filho de Bolsonaro.
Coincidência?
Até quando a direita vai aceitar ver seus próprios nomes sendo usados como escada eleitoral por quem flerta com o centro e com a narrativa da velha imprensa?